Cabo Verde quer ser ponte entre África e Brasil

O presidente de Cabo Verde, Pedro de Verona Rodrigues Pires, disse à BBC Brasil que o arquipélago pode ser uma "ponte da África Ocidental para o Brasil". "A intensificação da ligação aérea entre o Brasil e Cabo Verde pode também servir de ponto de ligação com a África, tendo em conta que Cabo Verde tem também ligação com o continente africano", explicou Pires. Pires mostrou esperança de que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja uma oportunidade para que os dois países estreitem ainda mais seus laços econômicos. Duas vezes por semana um grupo de mulheres embarca em Cabo Verde, num vôo de três horas meia sobre o Oceano Atlântico, com destino a Fortaleza. São as rabidandes, também conhecidas no Brasil como sacoleiras. Por semana, elas carregam 15 toneladas de mercadorias confecções, sapatos e produtos de artesanato para vender em Cabo Verde. Até maio, esse comércio respondeu por uma pequena parcela dos US$ 522 milhões que o Ceará exportou para o arquipélago. Ao longo de 2003, foram US$ 568 milhões.Esse verdadeiro boom de exportações começou em 2002, como explicou o superintende do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Ceará, Eduardo Bezerra, graças aos dois vôos semanais da empresas TAP e da TACV."Antes, os caboverdianos só dispunham de vôos para São Paulo que duravam seis horas e meia e custavam quase o dobro do preço. Isso encarecia as compras e os preços das mercadorias para revenda lá. Com os vôos diretos, ficou mais fácil e mais barato", disse. Mas nem só de miudezas vive o intenso comércio entre o Ceará e o Cabo Verde. Desde o ano passado, o item mais importante da balança comercial são as barras de ferro e aço, responsáveis por 33% das exportações cearenses para lá.EstudantesSegundo o presidente de Cabo Verde, desde sua independência em 1975, o arquipélago tem intensificado as relações com o Brasil, especialmente na área educacional. O presidente disse que hoje há cerca de mil estudantes cabo-verdianos no ensino superior brasileiro.De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, nos últimos quatro anos, cerca de 1.600 estudantes africanos vieram cursar graduação nas universidades brasileiras. Eles passam por uma seleção que inclui análise de currículo e fluência em português. Os mais bem-sucedidos nos exames são os dos países de língua portuguesa, como Cabo Verde e Angola. A chefe da Divisão de Temas Educacionais do Itamaraty, Almerinda Augusta de Carvalho, conta que os africanos ainda buscam pouco o Brasil para cursos de pós-graduação. Entre 2000 e 2004, apenas 92 estudantes vieram fazer mestrado ou doutorado. Ela atribui o baixo índice às dificuldades econômicas, sociais e educacionais que o continente ainda enfrenta. E diz acreditar que o Brasil só tem a lucrar com o aumento do número de estudantes africanos no país.

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