Cabo Anselmo diz poder ajudar Comissão da verdade

Traidor da Pátria - cabo Anselmo chama para si o rótulo -, diz que pode e quer colaborar com a Comissão da Verdade, apontar nomes dos porões, de quem foi agente infiltrado, como ele, de quem comandava a linha de frente da repressão e até dos que emprestavam apoio à caçada aos guerrilheiros. "O pessoal continua por aí", ele ensaia, enigmático, indicando para veteranos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), a polícia política que ele conheceu por dentro e com a qual colaborou.

AE, Agência Estado

19 de outubro de 2011 | 08h04

"Por enquanto", não cita nomes que diz guardar na memória. "Eles estão aí na Polícia Civil até hoje. E tinha os analistas também, os empresários, vou falar de um, ele era da aviação, trabalhava com o dr. Tuma", diz, referindo-se a Romeu Tuma, ex-número um do Dops nos anos 70, morto em outubro de 2010.

José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo - mítico personagem dos anos de chumbo, famoso ele ficou como delator e agente duplo da repressão -, discorreu segunda-feira à noite sobre o passado remoto, desde quando tudo começou, naquele março de 1964. Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, respondeu indagações de jornalistas e de um desembargador conduzidos por Mario Sergio Conti, novo âncora do programa.

Aos 70 anos, os cabelos brancos repartidos ao meio, uma barba espessa cobrindo o rosto, o corpo magro metido em roupa sem grife, meias amarelas e tênis nos pés, cabo Anselmo confessa que traiu seu País e a Marinha. "Eu me arrependo de ter saído da Marinha e de ter passado à insubordinação."

Reconhece a vileza de seu gesto porque serviu aos dois lados da contenda e com ambos foi desleal, ora como homem da repressão, ora como companheiro Jônatas nos quadros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Aceita a alcunha de cachorro (informante da polícia). Não o incomoda, diz, que seu nome tenha entrado para a história como traidor: "O que eu posso fazer quanto a isso?". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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