Cabeças brancas e pretas disputam Juventude do PSDB

Divisão se dá entre nomes ligados a Aécio e ao governador Geraldo Alckmin

Pedro Venceslau, enviado a Brasília, e Victor Gomes, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 15h45

BRASÍLIA - A eleição para a presidência da Juventude do PSDB (J-PSDB) se transformou em mais uma disputa velada entre os "cabeças brancas", ala governista do partido, e os "cabeças pretas", que defendem o rompimento com o governo. Nomeado em julho pelo senador Aécio Neves (MG) para comandar o braço jovem da sigla, André Morais, do Amazonas, tenta na tarde dessa sexta feira, 8, se reeleger.

Além de ser próximo do senador mineiro, ele conta com o apoio de Antonio Imbassahy (PSDB-BA), ministro da Secretaria de Governo, e disputa pelos votos dos 135 delegados reunidos no centro de eventos Brasil 21, em Brasília. O local vai sediar no sábado a convenção do partido.

Seu adversário é Marcos Saraiva, que é ligado aos tucanos paulistas. Nos bastidores do evento, dirigentes da J-PSDB paulista dizem que delegados que apoiam Saraiva foram boicotados pelo partido, que não emitiu parte das passagens aéreas a que teriam direito.

"É muita coincidência que justamente delegados de Estados que apoiam o André não tenham recebido as passagens do partido para vir a Brasília", disse ao Estado Lucas Sorrillo, presidente da J-PSDB-SP e integrante da corrente Ação Popular, que é ligada ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ao senador José Serra (SP).

Procurado, o deputado João Almeida (BA), responsável pela organização da convenção, não quis comentar. Atual presidente, Morais assumiu a função em 9 de julho, após a renúncia do então ocupante da cadeira, Henrique do Vale.

A proximidade com Aécio, que encampa a ala mais governista do partido, lhe garantiu uma nomeação na terça, 5, para um cargo na Secretaria Nacional de Juventude, órgão da Secretaria de Governo, comandada por Imbassahy. E ele também é ligado ao prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, pré-candidato a presidente pela sigla contra Alckmin.

Em vídeo publicado no Facebook, Morais defendeu a decisão de Aécio de afastar Tasso Jereissati do comando interino do PSDB. Ao Estado, ele não quis revelar suas posições acerca da reforma da Previdência ou do desembarque do governo. Apenas disse que seguirá qualquer orientação do partido.

Já Saraiva é mais ligado ao líder do partido na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), a quem sempre apoiou em campanhas. "Tirando Minas, a gente se dá bem com todo mundo", declarou, depois de defender o desembarque do governo Temer e a reforma da Previdência (não do jeito que está) - além de fustigar as "posições desagregadoras de Arthur Virgílio e Aécio Neves".

Morais também criticou caciques do partido, mas não revelou nomes: "A chapa adversária trabalha com caciques políticos ligando e ameaçando jovens de perder o emprego se votarem em mim, espero que não seja preconceito por eu ser do Norte". O atual presidente só poupou Alckmin, com quem disse ter conversado na última semana e que teria se mostrado equidistante. Mais uma vez, o governador encarna o papel de consenso mínimo em um partido rachado.

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