Cabe a Dilma responder se devo ficar no cargo, diz Lupi

Ministro disse estar tranquilo apesar das especulações de que perderia o cargo por conta da votação do PDT sobre o salário mínimo na Câmara

Anne Warth e Daiene Cardoso, da Agência Estado ,

18 de fevereiro de 2011 | 15h27

SÃO PAULO - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), disse nesta sexta-feira, 18, que a decisão sobre sua eventual saída do cargo compete unicamente à presidente da República, Dilma Rousseff. Após se reunir com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Lupi disse estar tranquilo apesar das especulações de que perderia o cargo por conta da votação do PDT sobre o salário mínimo na Câmara. "Quem tem de responder é a presidente da República. Meu cargo é de confiança. Se ela achar que não devo ficar, não devo", afirmou. "Estou com a consciência tranquila, ao lado da causa do povo brasileiro."

Ele contou que conversou ontem com a presidente Dilma e que sua eventual demissão não foi tratada. "Falo com a presidente Dilma permanentemente porque ela é minha chefe. Ontem, ela estava absolutamente feliz pela vitória que obteve na Câmara", afirmou. Lupi disse ainda que cabe ao governo ser "grandioso" nas vitórias. "Ao vitorioso compete a grandeza de exercer a vitória. Caso contrário, não terá grandeza quando perder."

Lupi evitou criticar a posição de alguns deputados do PDT que não votaram a favor do mínimo de R$ 545. Disse que o momento é de comemorar a vitória do governo e afirmou não considerar "inteligente" que o governo faça retaliações ao partido. "O PDT fez aquilo que a democracia deve fazer por todos os partidos", declarou. "Temos uma legislação sobre o mínimo pela primeira vez. Nem o presidente Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) conseguiu aprovar uma legislação que garanta aumento real para o trabalhador."

O ministro afirmou que cada deputado do PDT votou com a própria consciência, mas disse que, como membro do governo, apoiou os R$ 545. Ele refutou as afirmações segundo as quais não teria se empenhado a favor dos R$ 545. "Dizem tanta coisa sobre tanta gente que não é verdade. Teve um deputado ontem que falou que vou voltar para a banca vender jornal. Graças a Deus eu posso vender jornal. Tem gente que não tem o que vender", disse Lupi, que antes de se tornar político foi dono de uma banca de jornais no Rio de Janeiro.

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