Bush pega carona na popularidade de Lula, conclui estudo

A aproximação entre Brasil e EUA se dá num momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o líder nacional que tem melhor imagem nos países latino-americanos, enquanto o presidente George W. Bush detém a pior, afirma estudo do instituto Ipsos Public Affairs a que o Estado teve acesso. O Ipsos conclui que Bush está "tomando emprestada" a popularidade de Lula para marcar a sua presença no continente.O estudo revela que Lula tem 55% de aprovação no Brasil, enquanto Bush tem 32% nos EUA. Mas Lula tem um saldo - imagem positiva menos imagem negativa - de 36 pontos porcentuais no Brasil, 39 na Bolívia e 37 no Peru, enquanto Bush tem saldo negativo de 43 na Bolívia, 55 no Brasil e 3 no Peru. CoincidênciasA aproximação política dos dois países conjuga interesses de ambos, afirma o estudo: o Brasil tem interesse em gerar empregos com a exportação de etanol e os EUA querem reduzir o papel estratégico do petróleo árabe, o que ajudaria a diminuir a ação do terrorismo.Em outros países latino-americanos, Lula tem uma imagem bem melhor que a do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, que tanto se esforça para liderar a região. Chávez tem um saldo de 18 pontos positivos na Bolívia - que tem ajudado com muitos recursos -, mas saldos negativos de 21 pontos no Brasil e 51 pontos no Peru. O boliviano Evo Morales tem um saldo positivo de 64 pontos em seu país, mas ostenta 12 pontos negativos no Brasil e 21 pontos negativos no Peru. No Brasil, Chávez tem imagem negativa para 36% e positiva para 15%; Evo tem imagem positiva para 37% e imagem negativa para 25%; e Bush, imagem negativa para 71% e positiva para apenas 16%.Os brasileiros torcem o nariz para os EUA: a imagem daquele país é muito negativa para 21%, um pouco negativa para 23%, um pouco positiva para 32% e muito positiva para 9%. Apesar de classificarem Evo Morales por uma ótica positiva, os brasileiros são maciçamente contrários à nacionalização das refinarias da Petrobrás na Bolívia: 55% desaprovam o ato do presidente boliviano e 22% o aprovam. Alheios a um grave problema mundial, 40% dos brasileiros disseram nunca ter ouvido falar de aquecimento global.O estudo mostra que, a despeito das coincidências que unem Brasil e EUA, as realidades dos dois países são bem diversas. As principais preocupações do eleitor brasileiro são falta de emprego (59%), violência urbana (45%), baixos salários (30%), assistência médica (29%) e tráfico de drogas (27%); as maiores preocupações do eleitor americano são terrorismo (80%), educação (69%), custo da saúde (68%), economia (68%) e previdência (64%).

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