Bush falará de Doha e abertura comercial com Lula

O presidente George W. Bush disse que quer trabalhar com seu colega brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que a rodada comercial de Doha chegue a uma "conclusão bem-sucedida" nos próximos meses.O encontro segundo o Estado, na edição desta quinta-feira, também deverá consolidar um novo modelo de parceria entre os dois países. Em vez de acordos bilaterais, a aposta de Brasília se concentra na ação conjunta em favor de outros países, sobretudo os da América Central, do Caribe e da África. Os dois presidentes devem se encontrar pela segunda vez neste mês. O enconro será neste sábado, 31, na residência de Camp David, nos arredores de Washington, e as negociações mundiais de comércio devem ser um dos principais temas do encontro."Este final de semana o presidente do Brasil vem me visitar, e vamos falar sobre como podemos trabalhar juntos para abrir mercados e, ao mesmo tempo, lidar com suas preocupações em relação a assuntos agrícolas", disse Bush na associação norte-americana de produtores de gado na última quarta-feira. O embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, confirmou que a rodada agrícola de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) será um dos temas principais do encontro."Doha não é tema exclusivo, mas é importante", disse. O Brasil, defendendo os países em desenvolvimento, luta pela redução dos subsídios agrícolas por parte dos países ricos na rodada agrícola da OMC. Do seu lado, os Estados Unidos e a União Européia querem mais acesso na área de serviços e bens industriais nos países em desenvolvimento para fazer concessões nessa área. Para chegar a um acordo em Doha, disse Bush, é preciso que o Congresso norte-americano, nas mãos da oposição, renove a autoridade dada ao presidente de negociar tratados comerciais, conhecida como "Fast Track", que expira em 1º de julho. "O caminho do protecionismo parece amplo e atraente, mas ele termina em perigo e fracasso. Eu peço ao Congresso que rejeite o protecionismo", afirmou Bush.Entre as medidas protecionistas do Congresso está a manutenção de uma taxa de 54 centavos de dólar cobrada por galão de etanol brasileiro exportado aos Estados Unidos. O presidente Lula deve voltar a mencionar o tema nas conversas com Bush, pedindo por mudanças que beneficiem os exportadores brasileiros. A tarifa imposta pelos norte-americanos é uma maneira de proteger o mercado interno local, que produz etanol a partir do milho a custo bem mais elevado. A atual lei expira em 2009 e qualquer movimento para sua alteração deve encontrar resistências da bancada ruralista, formada por legisladores do meio-oeste. "Nosso congresso falou. A tarifa está vigente até 2009", disse Greg Manuel, assessor para assuntos de energia do Departamento de Estado nesta quinta-feira. Haiti e outros paísesNa órbita do novo modelo de parceria está incluída a atuação Brasil-EUA para fortalecimento da democracia em Guiné Bissau e para o combate à malária em São Tomé e Príncipe, bem como a parceria para a reconstrução do Haiti. "Vamos construir esse novo paradigma de cooperação na nossa política exterior. Não só com os Estados Unidos, mas com outros países desenvolvidos", resumiu o embaixador Everton Vargas, em entrevista ao Estado, referindo-se a acordos recentemente celebrados com a Alemanha e a Itália. A parceria para a atuação em terceiros países deverá ser tratada previamente durante o encontro desta quinta-feira entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. Ambos deverão selar acordos sobre a cooperação para o fortalecimento institucional do Poder Legislativo em Guiné Bissau - país que enfrenta sucessivos golpes desde sua independência, em meados dos anos 70 - e sobre a cooperação entre centros de pesquisa brasileiros e americanos para o combate à malária.Na área de educação, Bush e Lula deverão assinar dois memorandos - para intercâmbio de pesquisadores, sobretudo da área de biocombustíveis, e a renovação de parceria para o reforço do ensino profissionalizante no Brasil. Ambos também lançarão o Fórum de Executivos Brasil-EUA, com o objetivo de promover o diálogo entre os setores empresariais dos dois países.

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