Bush está feliz em voltar ao Brasil, diz novo embaixador

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente norte-americano, George W. Bush, vão assinar um memorando bilateral sobre biocombustíveis, que será o único acordo a ser fechado durante a visita do presidente americano ao País, nos dias 8 e 9 de março. A informação é do novo embaixador do Brasil em Washington, Antônio Patriota, que entregou nesta terça-feira suas credenciais ao presidente Bush. Patriota disse que teve uma conversa bastante amistosa com Bush. "O presidente americano falou de sua alegria em voltar ao Brasil, disse que está feliz em ir a São Paulo, cidade que ainda não conhece, e se lembrou do encontro que teve com o presidente Lula na Granja do Torto". De acordo com o embaixador, o presidente Bush chega em São Paulo no dia 8 de março à noite , onde participa de um jantar, juntamente com a secretária de Estado Condoleezza Rice, oferecido pelo ministro Celso Amorim. No dia 9 de março, de manhã, encontra-se com o presidente Lula, e depois eles terão um almoço. Ele parte em seguida para Montevidéu. Segundo Patriota, ainda não foi confirmado se o presidente Bush vai visitar uma usina de etanol no interior de São Paulo. A visita ao Brasil tem um "caráter específico", diz Patriota. O presidente Bush vai visitar países onde ainda não esteve ou chefes de estado com os quais que ele ainda não encontrou, como no México. "A etapa no Brasil é um gesto de amizade e uma deferência ao um relacionamento que ganha intensidade", diz. Lula em Camp David Segundo o embaixador brasileiro , Bush também falou da "satisfação" de receber o presidente Lula em sua casa, em Camp David, no dia 31 de março. "Será um encontro em um contexto mais íntimo, numa casa de campo", disse Patriota. "Esse encontro mais íntimo simboliza bem o estado atual das relações entre o Brasil e os Estados Unidos: os dois países estão com uma interlocução mais fluida, mais amistosa, e têm uma convergência muito grande em torno de temas de importância estratégica para os dois países". Na sexta-feira, Patriota se encontrou durante meia hora com John Negroponte, segundo na hierarquia do Departamento de Estado. Patriota afirmou que não há uma agenda rígida para o encontro entre Lula e Bush. "Hoje em dia os dois presidente se conhecem bem e conversam de uma forma muito livre, espontânea", disse. Mas ele citou alguns assuntos que devem figurar na conversa entre os dois presidentes: etanol, cooperação trilateral entre Brasil, EUA e terceiros países, do Caribe e América Central e o fórum de biocombustíveis que será criado nos próximos dias. O Fórum reúne Brasil, EUA, União Européia, China, África do Sul e Índia, e tem como objetivo promover o estabelecimento de padrões internacionais para que o etanol possa ser comercializado como uma commodity. Patriota afirmou que os presidentes devem discutir também a Rodada Doha e a região sul-americana. "Comentei com o presidente Bush que o presidente Lula acaba de voltar de Montevidéu e está empenhado no fortalecimento do Mercosul e no aprofundamento da integração sul-americana", disse. Críticas de Abdenur Em relação às críticas do ex-embaixador Abdenur em relação a uma tendência "ideológica" e "antiamericana" do Itamaraty, Patriota afirmou que o posicionamento da chancelaria brasileira é apenas "pró-Brasil", assim como "o Departamento de Estado é pró-Estados Unidos". Ele afirmou que Venezuela também deve fazer parte da pauta conversas entre os dois presidentes, uma vez que é "uma grande preocupação nos Estados Unidos". "Nossa posição é que a integração traz não apenas benefícios econômicos para os países, mas é um fator de aprofundamento da estabilidade e da democracia na região, é assim que concebemos a integração sul americana".

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