Bush chega a São Paulo sob forte esquema de segurança

O presidente americano, George W. Bush, desembarcou no Aeroporto Internacional de Cumbica, em São Paulo, às 20h04 desta quinta-feira, 8, sob um forte esquema de segurança. O Brasil é o primeiro a receber o presidente, que inicia um roteiro por cinco países da América Latina. Um forte esquema de segurança foi montado para isolar a área de pouso do Air Force One, de forma que nenhuma pessoa presente ao aeroporto, exceto profissionais mobilizados na operação e jornalistas credenciados para a cobertura, poderia acompanhar a chegada de Bush. Pelo menos duas dezenas de veículos se aproximaram do avião para levar Bush, sua esposa, Laura, e a comitiva para um hotel na zona sul de São Paulo. Na maior operação de desembarque para um presidente estrangeiro, foram mobilizadas 600 pessoas de órgãos como Infraero (empresa que administra os aeroportos brasileiros), Polícia Federal, Exército e Aeronáutica, além de agentes do serviço secreto norte-americano. A informação é da Infraero.Cerca de 200 veículos também seriam utilizados na operação para o transporte de bagagem, equipamentos e funcionários do governo norte-americano. Para evitar transtornos e problemas aos usuários de Cumbica, a recepção ao chefe de Estado ocorrerá ainda no pátio, e não no saguão.As operações para recepção de líderes mundiais exigem um conjunto de ações envolvendo vários agentes públicos que normalmente são da Polícia Federal, Infraero, entre outros. Mas, nesse caso, a embaixada e o consulado americanos, assim como o serviço secreto dos Estados Unidos e a Casa Branca, participaram do planejamento e da execução. Segundo a Infraero, o presidente dos EUA seria recebido por Ruy Casaes, chefe do cerimonial do Itamaraty. Além dos acordos econômicos previstos na agenda, a passagem de Bush marca posição no embate com seu rival venezuelano, Hugo Chávez, na disputa por combustíveis no continente. O presidente americano quer incentivar a produção de biocombustíveis nos países da América Latina para que seja uma opção ao petróleo da Venezuela.Sigilo e segurançaO esquema de segurança exigiu a criação de um grupo de ação integrada das forças militares e a mobilização de até 4 mil homens. Nas cerca de 24 horas da estadia de Bush na capital paulista, entre esta quinta e sexta-feira, ele fará pelo menos cinco deslocamentos. O sigilo cerca os trajetos como forma de blindar o presidente. Existe também a previsão de atiradores de elite localizados nas proximidades da passagem do comboio. Fazem parte da ação o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), as polícias militar, civil e rodoviária, além de órgãos como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Todo o prédio do Hilton, de 28 andares e 485 apartamentos, estão reservados para o casal e toda sua comitiva, além de policiais e seguranças. ManifestaçõesO dia da chegada de Bush foi marcado por um dia de protestos contra sua visita. A Avenida Paulista viveu o momento mais tenso das manifestações. Polícia e manifestantes entraram em confronto e pelo menos uma pessoa ficou ferida. Policiais chegaram a usar gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo contra o grupo que tentava invadir as outras pistas da avenida. Os manifestantes reagiram jogando paus e pedras, mas a situação foi controlada. Ao todo, foram cerca de seis mil pessoas, segundo a polícia, e 15 mil de acordo com os organizadores da passeata.Também em São Paulo, cerca de 30 ativistas do Greenpeace se reuniram no Monumento às Bandeiras para também protestar contra a visita do presidente americano. Fantasiados, os manifestantes ocuparam o barco do monumento do escultor Victor Brecheret, no Ibirapuera, e estenderam uma faixa no local. "Etanol é pouco. Salvem o clima!". No Rio de Janeiro, manifestantes apedrejaram o consulado dos Estados Unidos. As pedras quebraram alguns vidros do prédio, atingido também por tinta vermelha. Participaram do protesto aproximadamente 400 militantes do PSOL, do PCB e do PSTU, além de estudantes secundaristas.Texto ampliado às 20h38

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