Busca por padre que decolou em vôo de balões é intensificada

Dois dias depois de terdecolado, suspenso por mil balões de festa coloridos, o padreAdelir de Carli continua desaparecido, e as buscas foramintensificadas nesta terça-feira no sul do litoral de SantaCatarina. Fiéis e equipes de resgate estão confiantes de que o padre,que pretendia quebrar o recorde de permanência no ar com balõespreenchidos por gás hélio, será encontrado com vida. Após a partida às 13h de domingo de Paranaguá (PR), onde opadre é responsável pela Pastoral Rodoviária, ele foisurpreendido por um forte vento que o levou para o oceano. Inicialmente, as buscas se concentravam na costa da cidadede São Francisco do Sul (SC), mas agora as equipes de resgatese voltam mais para o litoral sul catarinense. "A gente acha que pode estar mais perto de Penha e Piçarra.A corrente está forte", disse por telefone João dos SantosJunior, subcomandante do Corpo de Bombeiros em São Francisco doSul. Duas aeronaves do Exército e da Polícia Militar,embarcações da Marinha e pescadores de região, além dosbombeiros, participam da operação de busca do padre, de 42anos. Restos de balões foram encontrados por diversas partes dacosta catarinense. "Achamos que ele ainda está vivo, há muitas ilhas naregião", acrescentou o subcomandante. A viagem do padre tinha como objetivo também despertar aatenção para a Pastoral Rodoviária, projeto idealizado por elepara promover apoio aos caminhoneiros que chegam ao porto deParanaguá. Ele pretendia levantar fundos para a obra deconstrução da sede do projeto. De acordo com o site da Pastoral, De Carli tem experiênciaem esportes de aventura, como montanhismo, mergulho,pára-quedismo e vôo livre de parapente. Antes da tentativa de quebra do recorde de 19 horas voandocom balões de festa cheios com gás hélio, o padre realizou umteste bem-sucedido em janeiro. Ele decolou de Ampére (PR), sua cidade natal, e pousou emterritório argentino após 4 horas e 15 minutos de vôo. "Ele viu um americano que vôou 19 horas carregado porbalões. E como o nosso páraco é arrojado, ele disse que davapara ficar mais tempo no ar", afirmou à Reuters por telefoneDenise Gallas, coordenadora da Pastoral Rodoviária deParanaguá. O último contato do padre com a Pastoral aconteceu às 19h40de domingo, quase sete horas após a decolagem. O padre ligou dotelefone celular para passar as coordenadas de onde estava epedir para que entrassem em contato com as autoridades. Na hora da partida, o tempo estava fechado e chovendo, maso padre alegou que as nuvens estavam baixas e que ele logopassaria por elas, de acordo com a coordenadora. "O vento deu um reverso e levou ele para o mar", disseDenise, acrescentando que o padre estava numa cadeira inflávele levava água, barras de cereal e cápsulas energéticas. Carlipretendia seguir rota para oeste do Estado do Paraná, mas foilevado pelos ventos para Santa Catarina, ao sul. "Isso não foi nenhum loucura, ele é arrojado. Nós temoscerteza que ele está vivo e será resgatado. Ele é uma pessoamuito determida, com grande capacidade física e mental. Ele fezum planejamento muito grande desse projeto", acrescentou acoordenadora. (Com reportagem de Raymond Colitt)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.