Buri, a cidade estratégica para a Revolução de 32 na divisa com o Paraná

Cidade que assistiu a sangrentas batalhas da tentativa de restaurar a democracia no País prestou um tributo ao soldado que tombou morto quando defendia as tropas paulistas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2012 | 15h48

BURI - Uma estátua de bronze do cadete Ruytemberg Rocha, herói da Revolução de 32, já brilha ao sol no Largo da Estação, centro de Buri, no sudoeste paulista, a 257km de São Paulo. A cidade que assistiu a algumas das mais sangrentas batalhas da tentativa paulista de restaurar a democracia no País prestou no dia 16 de junho um tributo ao soldado que tombou morto quando defendia as tropas paulistas do avanço getulista. A inauguração do monumento e de uma placa alusiva reuniu cerca de três mil pessoas e parou a cidade.

A solenidade, parte das comemorações dos 80 da revolução iniciada em 9 de julho de 1932, teve ainda a participação da banda da Polícia Militar e da fanfarra local. Cadetes da Academia de Polícia Militar de Barro Branco dispararam salvas de tiros. Houve também a entrega de medalhas de mérito a personalidades ligadas à causa revolucionária. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi representado no evento pelo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni.

O monumento foi erguido junto à antiga estação ferroviária, hoje restaurada, onde parava o Trem Blindado no. 2 dos revolucionários. De acordo com o coronel Mário Fonseca Ventura, presidente do MMDC, a sociedade de veteranos de 32, a cidade foi palco de duros combates que custaram a vida de mais de 300 pessoas, entre constitucionalistas e adversários. Rocha tinha 24 anos e era aluno do segundo ano do Curso de Formação de Oficiais da Força Pública quando foi destacado com outros alunos para o Batalhão Marcílio Franco, que atuava na frente sul da Batalha, na divisa de São Paulo com o Paraná.

A posição dos revolucionários era estratégica: na região formara-se um cordão de trincheiras para resistir a uma possível entrada no Estado das tropas do Exército vindas do sul. Na madrugada de 27 de julho de 1932, Ruytemberg Rocha foi atingido com um tiro na cabeça, após ter saltado da trincheira para buscar munição. Ele morreu na hora. "Buri era um ponto fundamental para a resistência, por isso sofreu intensos ataques. Em 26 de agosto ocorreu um combate de 17 horas seguidas, onde vários paulistas perderam a vida", conta Jefferson Biajone, presidente do núcleo do MMDC em Itapetininga.

Buri ainda preserva algumas trincheiras cavadas pelos revolucionários. O túmulo onde Ruytemberg foi sepultado ainda existe, no Cemitério Velho, mas seus restos mortais foram levados para o Mausoléu da Revolução de 32 no Parque Ibirapuera, em São Paulo. As histórias da revolução ainda estão presentes na cidade. O agricultor Silas Lopes, de 65 anos, conta que seu pai recolhia com pá as "cascas de balas" no interior das trincheiras. "Ele contava que os corpos dos mortos que caíram no ribeirão Buri deixavam a água avermelhada", diz.

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