Buratti deve depor hoje como testemunha em inquérito do lixo

O advogado Rogério Buratti é esperado hoje à tarde na Delegacia Seccional de Ribeirão Preto (SP) para depor como testemunha no inquérito que apura o superfaturamento, peculato e falsidade ideológica na coleta de lixo e varrição na cidade paulista. De acordo com a polícia, Buratti pode ajudar a esclarecer pontos do inquérito por ter sido ex-vice-presidente do Grupo Leão Leão e ex-secretário durante a primeira gestão do Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996).No inquérito, a Polícia Civil e o Ministério Público estimam que o superfaturamento no valor pago pela prefeitura para sistema de varrição de áreas pública na cidade, feito pelo Grupo Leão Leão entre 2001 e 2004, chegou a 70%. O valor pago mensalmente pelo serviço na segunda administração de Palocci, e do seu sucessor, Gilberto Maggioni, (2001-2004) superava R$ 1 milhão por mês, mas foi reduzido para R$ 600 mil pela atual administração. A mudança ocorreu após a constatação de que o total varrido pelos funcionários da empresa era até dez vezes maior do que a distância existente. Palocci admitiu, em depoimento à CPI dos Bingos, que o valor pago pela varrição era maior porque o serviço também era maior. Mas a Polícia Civil e o Ministério Público suspeitam que o dinheiro pago a mais à empreiteira teria sido transformado em um "mensalinho" para petistas e utilizado como caixa dois no partido, conforme Buratti denunciou, em agosto de 2005.O dinheiro recebido a mais seria justificado por meio de notas frias conseguidas pela Leão Leão junto a três empresas: Twister, Comercial Luizinho e KAF Brasil. Além de Buratti, devem depor ainda no inquérito o ex-chefe de gabinete de Palocci no Ministério da Fazenda, Juscelino Dourado; o ex-secretário de Palocci e atual diretor-superintendente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Donizeti Rosa, e sua mulher, Isabel Bordini.Ela foi diretora do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp) e, na última sexta-feira, foi comissionada para um cargo de confiança Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), o que deve dificultar seu depoimento no inquérito.

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