Bumlai nega a CPI ter privilegiado pessoas e diz estar com consciência 'absolutamente tranquila'

Bumlai nega a CPI ter privilegiado pessoas e diz estar com consciência 'absolutamente tranquila'

O pecuarista preso na Operação Lava Jato na semana passada, esteve na CPI do BNDES mas não respondeu às perguntas dos deputados

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 20h21

BRASÍLIA - Preso pela Operação Lava Jato, o pecuarista José Carlos Bumlai negou nesta terça-feira, 1, durante depoimento à CPI do BNDES na Câmara, que tenha privilegiado qualquer pessoa ou que tenha se deixado levar por amizades na condução de seus negócios. O empresário disse estar com a consciência “absolutamente tranquila” de que não cometeu nenhum crime e afirmou que tem como provar sua inocência. 

Bumlai foi preso no último dia 24 de novembro, sob a suspeita de ter contraído empréstimo de R$ 12 milhões com o Banco Schahin para pagar dívida de campanha do ex-presidente Lula e do PT. O empréstimo teria sido quitado por meio de contratos da Petrobras. Ele também é investigado por ter contraído empréstimos com BNDES que não foram pagos.

“Eu tenho princípios, tenho normas, jamais me deixei levar por amizade de A, B ou C. Minha vida foi construída com trabalho, com muito suor, morando e porões, trabalhando e construindo parte desse Brasil que ninguém aqui sabe”, afirmou Bumlai no final da sessão, após passar quase três horas sem responder às perguntas feitas por deputados membros da CPI.

O empresário citou diversas obras da qual participou, como a Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo, e uma das linhas do metrô paulistano. "Fui para os Estados Unidos, me associei à uma empresa americana, vim para cá e fiz o trecho 7 e o trecho 10 e Itaquera, onde está o nosso Corinthians (mesmo time de Lula)", disse.

O pecuarista foi questionado sobre diversos assuntos, como de quantas empresas é dono, se conhece o lobista Fernando Baiano e sua relação com o ex-presidente Lula, de quem é amigo, com o empresário Eike Batista. Bumlai afirmou que o fato de ele ter permanecido calado não quer dizer que concorde com tudo que foi dito. 

“Escutei uma série de coisas, concordo com umas discordo de outras. Tenho minha consciência absolutamente tranquila, e o tempo vai mostrar”, afirmou. “Não privilegiei ninguém. (...) Não tenho cor partidária, não sou filiado a nenhum partido político”, emendou. Embora não tenha apresentado, Bumlai afirmou que tem como provar sua inocência, “não tenho conversa fiada”.

"Amigo de Lula". O empresário mostrou irritação com o fato de ser mencionado como amigo do ex-presidente Lula. “Até meu nome trocaram. Meu nome é José Carlos, não é amigo de Lula”, disse. Ele destacou que estava disposto a responder todas as perguntas no depoimento marcado para 24 de novembro na condição de testemunha. Mas, após ser preso e passar à condição de investigado, ficou impossibilitado.

O silêncio do deputado irritou membros da CPI, que o acusaram de atitude covarde e antipatriota. “O senhor apostou a vida inteira na impunidade porque era amigo de autoridade”, disparou o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA). O presidente do colegiado, Marcos Rotta (PMDB-AM), afirmou que, diante da frustração, a CPI vai pedir à Polícia Federal compartilhamento do depoimento do pecuarista.

Celso Daniel. A deputada Mara Gabrili (PSDB-PB) fez um apelo para que Bumlai ajudasse a esclarecer a morte do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel, assassinado em 2002. Em depoimento ao Ministério Público, Marcos Valério afirmou que o pecuarista intermediou empréstimo com o Banco Schahin que teria sido repassado ao empresário Ronan Maria Pinto, para que parasse de chantagear Lula e os petistas. Por trás das ameaças, estaria a morte do ex-prefeito. 

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