Bumlai desiste de convocar Lula como testemunha

Pecuarista alega que ex-presidente já depôs sobre acusações contra ele, enquanto o petista afirma que o amigo é um 'homem honesto'

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2016 | 08h14

A defesa de José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu a desistência do depoimento do petista como testemunha de defesa do pecuarista. O testemunho de Lula estava marcado para segunda-feira, por videoconferência, mas deve ser cancelado se a Justiça aceitar o pedido de desistência. O ex-presidente foi intimado a comparecer à Justiça Federal, em São Paulo. Bumlai está preso desde dia 24 de novembro na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato.

Os advogados do pecuaristas sustentam que o ex-presidente já deu depoimentos sobre as acusações contra Bumlai em outras situações, incluindo um à Justiça Federal, em Brasília. Em depoimento por escrito, que será anexado ao pedido da defesa, Lula afirmou que Bumlai é um “homem de bem, honesto e pai de família exemplar, tendo-o na mais alta conta”. A declaração de Lula é dividida em cinco itens. Um deles entra no mérito do motivo da prisão do amigo.

O pecuarista é acusado de ter tomado empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões em outubro de 2004 junto ao Banco Schahin – em troca, o Grupo Schahin foi contratado para operar sondas na Petrobrás ao preço de US$ 1,6 bilhão, em 2009, no Governo Lula. “Jamais tive conhecimento de eventual interesse do Sr. Bumlai em negócios relativos a sondas de prospecção de petróleo, seja através do Grupo Schahin, seja de outros, assim como jamais manifestei a quem quer que fosse que esse assunto pudesse causar-lhe problemas ou pedi ajuda para ‘protegê-lo’ de um mal cuja existência desconheço”, afirma o ex-presidente em documento assinado de próprio punho. Bumlai responde ação penal por corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Ontem, o juiz federal Sérgio Moro afirmou em despacho que “as declarações juntadas por escrito do ex-presidente, não tendo caráter exclusivamente abonatório, não poderá ser atribuído valor probatório”.

“Declarações que digam respeito aos fatos em apuração devem ser prestadas em Juízo, sob contraditório, para terem valor probatório”, sustentou. “Quanto ao depoimento do ex-presidente, intime-se, com urgência e por telefone, a Defesa de José Carlos Bumlai para que esclareça se persiste na desistência mesmo sem que as declarações escritas do ex-presidente possam ser consideradas como prova nesta ação penal.”

Saúde. Bumlai foi diagnosticado com câncer na bexiga, segundo informações de seu advogado Arnaldo Malheiros Filho. Na terça-feira, o pecuarista foi levado para o Hospital Vera Cruz, em Curitiba, para uma bateria de exames médicos. O juiz federal Sérgio Moro havia determinado que o pecuarista fosse submetido aos exames depois que os advogados de defesa pediram autorização para um novo deslocamento de Bumlai ao hospital, alegando que ele havia sofrido sangramento de urina na carceragem da Polícia Federal. Bumlai teve alta na tarde de ontem.

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