BrT financiou agentes, acusa banqueiro

Advogado de banqueiro disse ontem que na defesa apresentará provas de pagamentos

, O Estadao de S.Paulo

25 de julho de 2009 | 00h00

O advogado Andrei Zenknet Schmidt, que defende o banqueiro Daniel Dantas em processo de gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na 6ª Vara Criminal de São Paulo, informou ontem que apresentará na defesa preliminar provas de que agentes que participaram da Operação Satiagraha teriam recebido pagamentos da Brasil Telecom. "As provas foram obtidas basicamente de duas formas: no processo da Itália, que é antigo, mas que nós tivemos acesso só no inicio deste ano, e também na documentação apreendida na própria Operação Satiagraha, na sede da empresa Angra Partners", que substituiu o Banco Opportunity no controle da Brasil Telecom. Schmidt não quis adiantar se o dinheiro foi usado como propina ou ajuda para as despesas de investigação. "Por uma questão de estratégia defensiva eu não tenho como antecipar esses dados agora, senão a afirmação de que eles existem", insistiu. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Dantas disse ter provas de que agentes da Operação Satiagraha teriam recebido pagamento da Brasil Telecom. "Tenho também informações de que a Brasil Telecom andou pagando a congressistas para me incluir no relatório da CPI", disse referindo-se às investigações sobre os Correios. "Como o Daniel falou na entrevista, nós temos muitos desses documentos que vamos utilizar no momento oportuno dentro do processo", explicou Schmidt. "Daniel fala em testemunhos de uma maneira um pouco mais ampla, cita alguns casos. O que eu posso lhe adiantar é que temos prova testemunhal das declarações." CPINa entrevista, Dantas disse ter informações de que a Brasil Telecom teria pago a congressistas para incluí-lo no relatório da CPI dos Correios, mas não divulgaria o nome dos parlamentares contra os quais teria essas provas. O banqueiro afirmou que a Procuradoria de Milão entende que 25 milhões foram utilizados pela Telecom Itália para pagar a autoridades no Brasil.Para ele, esses fatos aparecerão não somente na investigação italiana como no processo que investiga a atuação do delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha. Dantas minimizou a participação do ex-diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda. Para ele, Lacerda foi usado e não sabia o que estava acontecendo.

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