Brizola oferecerá legenda a Itamar

Derrotado na convenção do PMDB, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, ouvirá amanhã que, se quiser, poderá ingressar imediatamente no PDT e ingressar no novo partido já como candidato à Presidência da República. Itamar receberá em Belo Horizonte o presidente nacional pedetista, Leonel Brizola, e o deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT-RJ), outro articulador da formação de uma "candidatura nacionalista" para a sucessão presidencial. Para a hipótese de Itamar decidir ficar no PMDB, porém, o PDT tem uma saída: formalizar logo o apoio à candidatura de Ciro Gomes, do PPS. "O governo ganhou, o grupo oposicionista está reduzido a um terço do PMDB. Mesmo que uma parte dos dissidentes fique no partido, o governador Itamar deve sair", disse Vivaldo.A saída de Itamar do PMDB resolveria o problema do PDT, que, sem o governador mineiro, não tem nenhum nome na legenda para a disputa presidencial. Para Vivaldo Barbosa, uma opção do governador por deixar o partido "melhora as condições para a formação do projeto nacionalista em torno de Itamar Franco". O deputado acrescenta: "E esperamos que Ciro Gomes venha a fazer parte desse projeto." A outra possibilidade, a de Itamar Franco continuar peemedebista, é vista no PDT com grande preocupação. Isto porque, para boa parte dos pedetistas, o PMDB governista, vitorioso, está blefando quando diz que o governador mineiro será bem-vindo nas prévias e, se vencer, será o candidato do partido. No PDT, acredita-se que tudo será feito para inviabilizar a candidatura de Itamar, e o governador acabaria disputando a reeleição ou uma vaga no Senado. Neste caso, o PDT tratará logo da coalizão com Ciro Gomes. Para outro pedetista envolvido nas negociações com Itamar, se o governador ficar no PMDB, "será preciso reavaliar tudo, porque dificilmente ele será candidato a presidente." Embora os articuladores políticos de Itamar Franco já tenham avisado ao PDT que é provável a permanência do governador no PMDB, Vivaldo Barbosa acredita que essa é apenas uma estratégia política. "O governador deixou parecer que ficaria no PMDB para efeitos da convenção. Era importante para seus amigos que estavam na disputa deixar essa impressão no ar. Mas agora, o PMDB está perdido, não há por que ficar", diz Vivaldo.

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