Brizola ganha condição de anistiado político

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu ontem a condição de anistiado político ao ex-governador do Rio de Janeiro e fundador do PDT Leonel Brizola, morto em 2004. A medida permitirá que a viúva Marília Guilhermina Martins Pinheiro, com quem o político teve uma união estável por 11 anos, corrija o valor da sua pensão, paga pela Câmara dos Deputados, de R$ 2 mil para R$ 6 mil. Ela não pediu reparação econômica."Determinadas decisões, mesmo que tardias, são fundamentais para a construção da civilidade democrática do País", disse o ministro da Justiça, Tarso Genro. No mesmo diapasão, Tarso deu como exemplo a decisão da Justiça, que condenou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, por crime de tortura durante a ditadura. Para Tarso, a homenagem a Brizola reafirma a anistia que o povo do Rio já lhe havia conferido, ao elegê-lo governador após seu retorno do exílio. "Este reconhecimento de Estado nos enobrece como povo, qualifica a democracia do País e se coloca acima as convicções políticas e ideológicas dos partidos", afirmou.Segundo Tarso, Brizola é um exemplo de que a ditadura foi violenta com várias pessoas. O pedido de Guilhermina foi apreciado em apenas dez meses e tramitou sem contestações porque ela solicitou apenas a declaração de anistiado político e a contagem de tempo para todos os efeitos, abrindo mão de qualquer reparação econômica. A portaria que declara Brizola anistiado político será assinada por Tarso na próxima sexta-feira, na Assembléia do Rio Grande do Sul, terra natal de ambos.

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