Brizola admite aliança com ACM

O presidente de honra do PDT, Leonel Brizola, propôs hoje, em Porto Alegre, a constituição de uma ampla aliança de oposição para 2002 que inclua até mesmo o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). De acordo com o líder pedetista, os partidos oposicionistas "não podem neste momento assumir atitudes incompatíveis com as necessidades de somar forças". Brizola voltou a sugerir a união dos seus "sonhos", entre o governador Itamar Franco (PMDB-MG) e o ex-ministro Ciro Gomes (PPS), com quem se encontrou no aeroporto da capital gaúcha.O candidato à Presidência do PPS endossou a idéia de uma aliança com o "trabalhismo brasileiro" (PDT e PTB) no primeiro turno das eleições presidenciais e disse que foi mal compreendido sobre as afirmações de que a violação do painel do Senado, promovida por ACM, não era tão grave. "Não tenho razão para me solidarizar com um homem que foi aliado por seis anos do governo que combato. A única coisa que pode remotamente, com muita desonestidade, ser confundido, é que censurei o excesso de atenção que o mundo político e da mídia estão dando a esse assunto", afirmou Ciro.O ex-ministro afirmou ainda que estava aberto a um entendimento com Itamar e com outros setores de oposição ao governo FHC. "Não se pode acreditar nessa história de salvador da pátria. É preciso somar pessoas", disse o candidato do PPS. Ciro também fez elogios ao grupo do PMDB gaúcho ligado aoex-governador Antônio Britto, que vem namorando com o PPS e o PSDB. "Honraria-nos muito que a vida nos oferecesse a oportunidade de lutar juntos", disse. O grupo de Britto está em rota de colisão com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que conseguiu eleger um de seus aliados para a presidência do PMDB gaúcho, o deputado Cézar Schirmer. Tanto o ex-governador gaúcho quanto o deputado Michel Temer, derrotado pelo ex-governador Orestes Quércia em São Paulo, têm cogitado a possibilidade de trocar o PMDB pelo PPS. Além das investidas sobre esses peemedebistas, os líderes do PPS torcem para que o PMDB não aprove no próximo ano a candidatura própria, o que aproximaria Itamar de um acordo com Ciro.Principal promotor dessa união, Brizola se declarou "praticamente rompido" com o pernambucano Miguel Arraes, mas não descarta também a participação do PSB na aliança, desde que como "aliado secundário" - em outras palavras, sem espaço para seu desafeto, o governador Anthony Garotinho (RJ). "Até porque estão presentes outros segmentos, como o ACM, que quer apoiar a candidatura Itamar, mas sem influir e sem que tenha compromissos na aliança", disse o pedetista.

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