Britto diz que PMDB virou "clube da esperteza"

O ex-governador Antônio Britto anunciou oficialmente hoje sua filiação ao PPS de Ciro Gomes, e disse que a cúpula nacional do PMDB se transformou em um "clube da esperteza". A tentativa do Palácio do Planalto, com o aval dos caciques peemedebistas, de seduzir o senador José Fogaça a aceitar um convite para comandar o Ministério da Integração Nacional, depois de ter sido vetado para presidir o Congersso, e a indicação do senador Jader Barbalho (PA) para uma das vagas do PMDB na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado foram qualificadas por Britto como "confissão constrangedora do estilo vigente"."O Brasil quer investigações rigorosas das denúncias, e o clube escala Jader para investigar Jader. O Brasil quer que a política respeite as ruas, e o clube chama de política o conchavo", afirmou o novo dissidente peemedebista, que terá sua ficha no PPS abonada na próxima semana pelo presidenciável Ciro Gomes. De imediato, o ex-governador leva consigo para o PPS mais cinco deputados estaduais (metade da bancada do partido na Assembléia Legislativa), um federal e uma vereadora.Ex-aliado do presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem fez campanha nas duas últimas eleições, Britto criticou as escolhas políticas do governo, que teriam fortalecido o "velho" e "envolvido o presidente em coisas que ele até não merecia". "Um dos problemas do governo FHC é que ele foi absolutamente moderno em examinar questões do mundo e do Brasil, mas velho em tratar da política", disse Britto. "O País modernizou-se na economia, mas não mudou nada na política."Assumindo o discurso de Ciro Gomes, Britto também afirmou que a falta de poupança interna e a incapacidade de financiar os sucessivos déficits das transações correntes com o Exterior revelam que "o modelo esconômico está esgotado". Alguns aliados do ex-governador já chegaram inclusive a lembrá-lo como alternativa a vice na chapa de Ciro Gomes, mas o senador Roberto Freire (PPS) considerou prematura a indicação de um nome do mesmo partido. "Acho que o Ciro deve buscar um nome melhor do que o meu", desconversou Britto.Na verdade, ele é o principal nome da oposição ao governo Olívio Dutra para enfrentar o PT em 2002, mas sofre restrições dos líderes pedetistas devido à sua política de privatizações. PDT, PPS e PTB estão discutindo a formação de uma frente anti-PT para tentar barrar a reeleição de Olívio ou do prefeito Tarso Genro, outro pré-candidato à sucessão estadual.Ao despedir-se do PMDB, Britto disse que tem saudade dos líderes históricos do PMDB já mortos, como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Dos atuais peemedebistas, só fez referências positivas ao governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e ao deputado catarinense Luiz Henrique, e evitou responder aos ataques do senador Pedro Simon, que lhe considerou um traidor. "Quem está aí não é o Simon, mas um clone", afirmou.

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