Britânico diz que pode fazer transplante facial de doador falecido

Um cirurgião plástico britânico anunciou nesta quarta-feira em Londres que dentro de alguns meses estará pronta a tecnologia para realizar transplantes faciais de um doador falecido para um paciente com o rosto desfigurado por umaenfermidade."A pergunta não é se estamos em condições de fazê-lo e, sim, se deveríamos fazê-lo", disse nesta quarta-feira à BBC Peter Butler, doRoyal Free Hospital, provocando um debate ético sobre esse tipo de transplante, que é quase uma ficção científica.A iniciativa poderia ajudar pessoas seriamentedesfiguradas por um câncer ou por queimaduras a recuperarem um aspecto normal em seu rosto.Atualmente - explicou Butler - é possível realizarcirurgias reconstrutoras, mas freqüentemente o efeito é o de uma máscara, uma vez que o rosto reconstruído com pedaços de peleextraídos de outras partes do corpo carece de mobilidade. No transplante facial, pelo contrário, não existiriam problemas desse tipo, acrescentou.Lábios, queixo, orelhas, nariz, pele e ossos obtidos de uma pessoa recém-falecida poderiam ser implantados com técnica de microcirurgia.Também podem ser aproveitados do rosto do doador vasos sanguíneos, artérias, veias, músculos e nervos, ao mesmo tempo que seria necessário remover os músculos, a pele e a gordura subcutânea do paciente.Para que a operação tenha êxito, é necessárioestabelecer conexão entre os nervos que controlam a expressão e os movimentos, indicou o especialista. Segundo Butler, a parte técnica da cirurgia plástica não é tão difícil como pode parecer e admitiu que o verdadeiroproblema é enfrentar os problemas morais e de ética profissional.Sobretudo se o transplante incluir os ossos do doador - caso em que o paciente acabará tendo o mesmo rosto da pessoa falecida. Algo similar é o que sucede no filme Face Off, ondeum agente do FBI (John Travolta) e um terrorista (Nicholas Cage) trocam os rostos.Uma vez encerrada sua investigação - o que Butler prevê que aconteça dentro de seis a no máximo nove meses -, o cirurgião pedirá ao hospital em que trabalha e à Secretaria daSaúde autorização para proceder ao implante facial.Mas desde já o tema está atraindo a atenção de seus colegas da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos reunidos nesta quarta-feira em Londres. Tal tipo de transplante não se destina a pessoas que desejam corrigir aspectos estéticos e, sim, a pacientes com sérios traumas faciais, esclareceu o especialista.É o caso de Christine Piff, uma britânica de 25 anos que se submeteu a uma prótese facial após sofrer um câncer que destruiu seu rosto. Teoricamente, ela é favorável a este tipo de intervenção cirúrgica, mas admite que teria algumas restrições em fazê-lo."Se esta operação pode melhorar a qualidade de vida de pessoas que perderam a mandíbula e não podem nem comer, nem falar, acho que é uma coisa maravilhosa. Mas há também uma partede mim que está muito preocupada, porque não posso imaginar o que poderia significar viver com a cara de outra pessoa."

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