Brinquedos violentos perdem espaço no Natal

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) informa que no País os brinquedos classificados como afetivos - bonecas, bichos de pelúcia e carrinhos - serão os recordistas de vendas neste Natal, respondendo por cerca de 70% do mercado. Já os games, que em 1996 chegaram a ter 25% de participação, deverão representar 8% das vendas. A fatia restante refere-se a jogos educativos. Segundo o presidente da Abrinq, Synésio Batista da Costa, os fabricantes assumiram o compromisso de reduzir o espaço de brinquedos violentos. As armas de plástico quase idênticas às originais, por exemplo, foram banidas de cena há dez anos. "As crianças não sentiram falta e as empresas menos ainda. Os modelos foram substituídos e as vendas aumentaram", diz Costa. Ele diz que a mudança foi motivada mais pelos adultos. "Em geral, são os pais que escolhem os presentes. A sociedade está preocupada com a violência. Os pais querem proteger os filhos, dar brinquedos que inspirem boas lembranças." Alguns especialistas em educação acreditam que brinquedos não têm poder de estimular a violência. "É um instrumento de fantasia. O fato de a criança brincar com uma arma de plástico não quer dizer que se transforme em bandido. Depende da educação e da relação familiar", diz a pesquisadora Edda Bomtempo, professora de Psicologia do Brinquedo da Universidade de São Paulo (USP). Responsável pelo Departamento de Psicologia da Aprendizagem da USP, Maria Isabel da Silva Leme tem opinião semelhante, mas faz ressalvas quanto a games. "Alguns jogos exibem cenas muito violentas, se já houver predisposição é possível que a criança mude o comportamento", diz. "O ideal é que os pais limitem seu uso." Já a proibição é desaconselhada: "Tudo o que é proibido fica mais atraente." Daniel Arroio Lustig, de 12 anos, é fã desse tipo de game, especialmente o GTA - em que policiais, ladrões e mafiosos se envolvem num roubo a banco -, mas garante que ficou até mais tranqüilo depois que passou a jogá-los. "É divertido, estimula o raciocínio e dá para liberar toda a agressividade." Já Bruno de Temponi, de 13, assíduo freqüentador de uma lan house (loja de jogos por computadores) gosta do Counter Strike, em que policiais tentam evitar que terroristas explodam uma bomba. Há tiros e explosões, mas ele diz que a violência não é o que interessa. "Gosto pela ação. É um jogo inteligente, que ensina estratégias." Mas, se dependesse das estudantes goianas Rafaela Martins Camara e Gabriela Rocha Moraes, ambas de 12 anos, esses games seriam proibidos. Elas participaram da ONG Conferência Criança Brasil no Milênio e assinaram um manifesto pela proibição da venda de brinquedos violentos. "Eles acabam influenciando a forma de ver o mundo", diz Rafaela. Veja a galeria de fotos de preparativos para o Natal

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