Brindeiro vê indícios contra procurador

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, assinou hoje despacho no qual afirma que há indícios de que o subprocurador-geral da República, Miguel Guskow, tenha praticado infrações disciplinares e penais. Brindeiro afirma que chegou a essa conclusão após examinar minuciosamente documentação encaminhada pelo Banco Central sobre a suposta participação do integrante do Ministério Público em operação irregular de venda de títulos no exterior.No despacho, Brindeiro pede um parecer conclusivo ao subprocurador-geral da República Raimundo Francisco Ribeiro de Bonis, encarregado de apurar os fatos. O procurador esclareceu que, se for o caso, poderá ser requisitada a instauração de um inquérito criminal contra Guskow no Superior Tribunal de Justiça (STJ).Brindeiro chega a se referir a Guskow como "indiciado". Ele observou que o subprocurador manteve correspondência com um dos acusados, Taniel Marcolino, sobre compra de notas do Tesouro Nacional. Brindeiro lembra que Guskow assinou uma declaração de plena confiança na competência profissional de Marcolino e de Robert Whitehead.O procurador ressalta que Guskow fez as declarações na condição de coordenador da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão (especializada em Consumidor e Ordem Econômica), com papel timbrado do Ministério Público Federal. "Em portaria editada no dia 26 próximo passado, dispensei o indiciado de sua função de coordenador", acrescentou.Brindeiro afirma ainda no despacho que "diante da gravidade dos fatos" e dos "indícios" determinou a instauração de um inquérito administrativo pelo corregedor-geral, Eduardo Antonio Dantas Nobre.O procurador acrescenta que encaminhou um ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, requisitando a abertura de um inquérito policial para apurar supostos envolvimentos de Taniel Marcolino, Robert Whitehead, Peter Sermoi, Mark MCGovern e Silvio Correia.

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