Brindeiro se prepara para sabatina no Senado

Indicado ao cargo pela quarta vez consecutiva e com o apoio da maioria dos senadores, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, passa o fim de semana mergulhado em livros, estudando para a sabatina que enfrentará na próxima terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A sabatina protocolar é o último passo que Brindeiro precisa dar para conquistar formalmente o direito de chefiar, por mais um mandato de dois anos, o Ministério Público Federal, tornando-se recordista em permanência no posto.O preparo de Brindeiro para a sabatina no Senado não se restringe ao estudo. Nos últimos dias, ele tomou conta de seu visual e apareceu no gabinete com um corte novo nos cabelos. Apesar de contar com o apoio da maioria dos senadores, a indicação feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso encontrou resistências no Judiciário e no Executivo. Conforme apurou o Estado, na avaliação de integrantes do Judiciário e do governo, Fernando Henrique deveria indicar para o cargo um membro do Ministério Público com perfil mais progressista e investigativo. Ao indicar Brindeiro para o quarto mandato, Fernando Henrique teria perdido a oportunidade de colher os frutos de eventuais investigações contra a corrupção que poderiam ser feitas em períodos curtos. "Ao não optar por uma renovação, o presidente acabará pagando um preço político alto junto à sociedade, por causa da fama de Brindeiro de engavetar investigações", avaliou um integrante do Judiciário. A fama surgiu em virtude da postura de Brindeiro frente a acusações graves feitas contra integrantes do governo. Quando foi sabatinado há dois anos, o procurador-geral teve de enfrentar críticas duras de senadores de oposição. Na ocasião, o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) lembrou que Brindeiro tinha arquivado o processo em que deputados confessavam ter vendido o voto para aprovar a emenda da reeleição.O cargo de procurador-geral da República é estratégico para o governo. Depende do chefe do Ministério Público Federal a iniciativa para abrir inquéritos criminais contra o presidente da República, parlamentares e ministros.

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