Brindeiro pede que STF investigue governador do ES

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, vai pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de inquérito para investigar as denúncias de corrupção e troca de favores com empresários contra o governador do Espírito Santo, José Ignacio Ferreira (PSDB). Se o STJ aceitar o pedido, a Polícia Federal terá 60 dias para conseguir provas e, caso confirme as acusações, o governador poderá ser indiciado e ter sua imunidade suspensa.Os dois inquéritos que agora estão sendo examinados em Brasília já foram investigados pelos procuradores do Ministério Público Federal no Espírito Santo. Eles foram enviados a Brindeiro porque, no caso de governadores do Estado, uma denúncia só pode chegar ao STJ pelo procurador-geral. Outras investigações contra o governo de Ferreira estão sendo apuradas pela Assembléia Legislativa, pelo Ministério Público Federal e pelo Banco Central. Além do próprio governador, a primeira-dama (ex-secretária da Ação Social) e o irmão dela (ex-secretário de Governo) também são acusados.A crise política no Estado é tão grande que já atingiu os aliados político de Ferreira. Hoje, o líder do governo na Assembléia, Juca Gama, renunciou ao cargo e deixou o partido (PSDB). Ele havia denunciado à imprensa local uma suposta compra de votos, ocorrida em 1998, favorecendo Ferreira. "Quero ficar de fora de tudo isso. Acho que o governador deveria renunciar imediatamente", disse Gama. No fim da tarde, ele disse que, tão logo acabe o recesso da Assembléia, ele entrará com pedido de afastamento do governador.Na terça-feira, o vice-governador Celso Vasconcelos, também do PSDB, apresentou ao MP uma relação de 1.800 cheques emitidos por uma cooperativa de crédito, supostamente em nome do governador e de pessoas de sua equipe.O resultado disso é que a CPI da Propina está querendo adiantar os resultados da investigação iniciada em abril. Hoje, o presidente da CPI, Gilson Lopes Filho (PFL), disse que tem provas definitivas contra mais de cinco acusados. A comissão investiga um dossiê com dezenas de fitas feitas por um lobista e que revelariam um esquema de cobrança de "ágios" para transferência de créditos do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) a empresas. Essas propinas somadas chegariam a, pelo menos, a R$ 800 mil.A CPI também apura outras denúncias: a de um empréstimo irregular de R$ 2,7 milhões que o governo teria feito no Banestes, o banco estadual, para pagar compromissos de campanha (que também é apurada pelo Banco Central) e o mau uso de dinheiro público na construção da Fábrica de Sopas (um projeto da primeira-dama). Mesmo em recesso, membros da CPI se reuniram hoje para organizar o material das acusações, um total de 57 volumes, com mais de 28 mil páginas. O relatório final da CPI deve ficar pronto em agosto.

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