Brindeiro nomeia procuradores para ação no ES

O ministro da Justiça, Paulo Tarso Ribeiro, esteve reunido ontem com o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para comunicar as medidas que a União tomará para acabar com a criminalidade no Espírito Santo. Brindeiro, que determinou o arquivamento do pedido de intervenção do Estado, causando a crise que culminou com a demissão do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, nomeou uma equipe especial de procuradores para atuar no combate ao crime organizado. Toda a ação do Ministério Público Federal será coordenada pelo subprocurador da República José Roberto Santoro, que atuou na mesma função no Acre, colocando fim ao crime organizado comandado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal. Praticamente todo o grupo escolhido por Brindeiro tem experiência nesse tipo de ação, que envolve um trabalho conjunto com a Polícia Federal, que também enviará 50 homens ao Espírito Santo.Santoro, que chegou a ser cogitado para assumir a chefia do Ministério Público, também teve grande atuação na apuração das fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Nos últimos tempos, dedicava-se a investigar fraudes no Sistema Único de Saúde (Sus). Santoro é considerado hoje um dos principais membros do MPF na área criminal. Outros dois procuradores - Raquel Elias Ferreira Dodge e Marcelo Ceará Serra Azul - também atuaram no Acre, ao lado de Santoro e do procurador regional no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, que também estava cotado para ajudar o trabalho no Espírito Santo, mas acabou sendo preterido por Brindeiro. Raquel Dodge integra o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e chefia a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Tanto ela quanto Serra Azul são ligados aos direitos humanos. Missão especialO grupo, classificado por Brindeiro como "missão especial para o combate ao crime organizado" no Espírito Santo, é composto ainda pelos procuradores regionais Henrique Geaquinto Herkenhoff e Ronaldo Meira de Vasconcelos Albo. A equipe, que deverá viajar na próxima semana para Vitória, não terá um tempo determinado para a concretização dos trabalhos. "Os procuradores devem atuar nas ações referentes à competência federal, como a defesa dos direitos humanos e crimes ligados ao narcotráfico internacional", explica o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Orlando Fantazzini (PT-SP). Foi a comissão que sugeriu a presença do Ministério Público Federal no Espírito Santo.

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