Brindeiro nega que seja um "engavetador"

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, indicado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para o quarto mandato no cargo, disse hoje, na sabatina a que está sendo submetido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que a acusação que vem sendo feita a ele de ser um "engavetador" de processos, "é umainjúria". Em resposta a um questionamento feito pelo senador José Agripino (PFL-RN) sobre esse assunto, Brindeiro argumentou que "não se pode fazer denúncia sem provas. Só se acusa a quem quer que seja com provas". Em sustentação de seu argumento, o procurador-geral citou várias denúncias que fez, no cargo, como aquelas contra os ex-presidentes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Délvio Buffolin e Nicolau dos Santos Neto; os ex-deputados Sérgio Naya (MG) e Hildebrando Pascoal (RO) e o ex-senador Luiz Estevão (DF). "Tenho cumprido o meu papel", afirmou, relatando, também, os casos em que não abriu processo porque não havia provas, mas que lhe custaram essa fama de engavetador. "Durante dois anos, fui agredido por não iniciar processo, no Suprremo (Tribunal Federal), contra o presidente da República, o ministro da Saúde, o governador Covas,com base em uma farsa", afirmou Brindeiro, referindo-se ao Dossiê Cayman - que, segundo se comprovou posteriormente, era forjado -, segundo o qual o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Saúde, José Serra, o ex-governador de São Paulo Mário Covas e o ex-ministro as Comunicações Sérgio Motta teriam uma conta bancária milionária no paraíso fiscal de Gran Cayman. "A liberdade de expressão é fundamental, mas tem que ter provas", afirmou ainda o procurador, referindo-se ao noticiário dos jornais sobre este caso.

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