Brindeiro deve denunciar quatro por venda de habeas-corpus

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, confirmou nesta quinta-feira que vai denunciar pelo menos quatro pessoas suspeitas de envolvimento em um suposto esquema de venda de habeas-corpus a traficantes, o que representará a abertura de uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele não quis revelar os nomes, mas fontes do Judiciário confirmaram que, entre os denunciados, estarão o deputado federal Pinheiro Landim (sem partido), o desembargador Eustáquio Silveira, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, seu filho Igor Silveira, ex-assessor de Landim, e a mulher do magistrado, Vera Carla, juíza federal em Brasília. "Tenho convicção sobre parte da matéria para iniciar a ação penal", disse Brindeiro. O procurador deverá oferecer a denúncia após receber o resultado das diligências pedidas por ele ao STF em dezembro, como a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos suspeitos. Se as investigações não indicarem a participação de outras pessoas, ele poderá pedir o desmembramento do caso. Com isso, a ação contra os quatro seguiria no STF, enquanto as investigações sobre outros suspeitos seriam aprofundadas. O episódio abriu ainda uma crise no Superior Tribunal de Justiça (STJ), pois um de seus integrantes, o ministro Vicente Leal, também é suspeito de ligações com o suposto esquema. Na quarta-feira, em sessão pública, o ministro Franciulli Neto pediu ao presidente do tribunal, Nilson Naves, esclarecimentos sobre a sindicância interna aberta para investigar as suspeitas contra Leal. Franciulli também exigiu informações sobre a situação da mulher de Naves, Adélia, que é funcionária do tribunal e teve o nome citado numa conversa de um traficante e um advogado gravada pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Na gravação, Adélia é apontada como "amiga" de um dos interlocutores. No STJ, Franciulli não está sozinho. Vários dos 33 ministros do tribunal acham que Leal e Adélia deveriam ser afastados das funções durante as investigações. Há também quem defenda que Naves se licencie da presidência do STJ. O tráfico e suas conexões

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