Brindeiro deve analisar conduta de procuradores

O procurador-geral da República, GeraldoBrindeiro, disse hoje que a divulgação da conversa mantida entre o senador AntônioCarlos Magalhães e três procuradores será analisada "à luz da Lei Orgânica doMinistério Público e da Constituição Federal". Ele não quis adiantar se considera aconduta de seus colegas como antiética, mas informou que a Lei Orgânica prevê regrasde comportamento dos procuradores.Brindeiro ficou sabendo sobre a notícia apenas às 16 horas de ontem."Vou me informar sobre o que ocorreu", disse. Apesar de tentar não comentar o caso, ochefe do Ministério Público Federal afirmou que cada integrante da categoria temindependência e age de acordo com a sua responsabilidade. Uma eventual análise daconduta dos procuradores seria feita pela corregedoria do Ministério Público.O procurador disse que repele as supostas afirmações feitas pelo senador AntônioCarlos Magalhães contra ele. Segundo a notícia, ACM teria insinuado que a lentidão deBrindeiro na análise de alguns casos seria um agrado ao presidente Fernando HenriqueCardoso, que foi o responsável pela indicação do procurador-geral. "O MinistérioPúblico não pode se envolver em questões político-partidárias", afirmou.As outras insinuações que teriam sido feitas por ACM contra os ministros do SupremoTribunal Federal (STF) Nelson Jobim e Ellen Gracie foram repelidas pelos doisintegrantes da corte e pelo seu presidente, Carlos Velloso. Os dois ministrosdisseram que não são verdadeiras as acusações de que, a pedido de Jobim, Ellen teriaconcedido uma liminar suspendendo a CPI instalada pela Assembléia da Bahia parainvestigar a Companhia Docas da Bahia (Codeba).Sustentando que nunca gravou seus encontros com autoridades, Carlos Velloso saiu emdefesa de Jobim e Ellen. O presidente do Supremo disse que poderia dar seu testemunhode que jamais os dois ministros conversaram sobre o assunto e de que Ellen julgou deacordo com o processo e com a sua convicção. "Os ministros deixaram claro que não sãoverdadeiras as insinuações", afirmou Velloso.

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