Brindeiro demite Guskow. Por telefone

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, retirou o subprocurador Miguel Guskow da coordenação da Câmara do Consumidor, Ordem Econômica e Economia Popular. Brindeiro também pediu à Polícia Federal que investigue informações repassadas pelo Banco Central para verificar se há práticas de crimes por parte de Guskow, suspeito de intermediar negociações entre empresas, utilizando seu cargo.Dos Estados Unidos, onde se encontra e de onde retorna na próxima semana, Brindeiro ditou uma nota de uma lauda para seu chefe de gabinete, José Júlio Reis, tirando Guskow do cargo que ocupava desde 1994. Desde que apareceram as denúncias contra o subprocurador, esta é a primeira manifestação oficial de Brindeiro.Na nota, ele explica que Miguel Guskow foi nomeado como coordenador da Câmara do Consumidor antes de sua gestão à frente da Procuradoria-Geral da República. Além de tirar Guskow do cargo, ele imediatamente nomeou o também subprocurador João Batista de Almeida como novo coordenador e indicou o subprocurador-geral da República Raimundo Francisco Ribeiro de Bonis para apurar as denúncias feitas pelo Banco Central contra Miguel Guskow, enviadas a Brindeiro ainda em setembro do ano passado.O principal envolvimento do subprocurador refere-se a um documento encaminhado ao financista americano Robert Whiteread, que foi preso no ano passado em seu país, acusado de dar um golpe de US$ 10 milhões em 13 clientes, utilizando títulos da dívida externa brasileira. Guskow atestava que Whitehead era uma pessoa de credibilidade. Além disso, o subprocurador poderia ter intermediado outra negociação envolvendo o doleiro Yussef Mahmoud Bazzi, conforme documento enviado pelo BC à Polícia Federal.Apesar de poder exercer função na Câmara do Consumidor, onde são analisadas questões envolvendo negociações entre empresas, Guskow pode também prestar assessorias jurídicas. Entretanto, segundo alguns procuradores, ele não pode utilizar de sua função pública para isso, como aconteceu no caso Whitehead, quando chegou a fazer a carta utilizando papel timbrado do Ministério Público Federal.RespostaEm uma nota distribuída ontem pela assessoria do Ministério Público Federal, Guskow justifica que o documento tinha validade e eficácia restrita de 30 dias. "O referido documento não atesta a conduta e comportamento universal dos atores, mas é uma simples referência", afirma o procurador na nota, acrescentando: "Nem atesta seu comportamento negocial." Para o subprocurador, conforme afirmou em seu comunicado, a carta enviada em favor de Whitehead "não gera responsabilidade pessoal de quem o firmou, nem institucional em relação a qualquer transação, lícita ou irregular, como falsamente e dolosamente propalam as publicações denegridoras." Mais adiante, Guskow assegura que "o documento não foi emitido, e jamais o poderia, para servir a "golpes", auxiliar "golpistas" ou coisas semelhantes, conforme querem fazer parecer.O subprocurador não cita, em nenhum momento, seu afastamento da Câmara, mas refere-se à discussão sobre os títulos públicos, pedindo uma CPI para debater o assunto, além de propor ao Centro Brasileiro de Estudos Estartégicos e Escola Superior de Guerra (Esg) que estudem o problema da dívida pública. Porém, não define com que objetivo isso seria feito.O presidente eleito do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Approbato Machado, disse ontem que os fatos imputados a Guskow têm de ser "exaustivamente" apurados. Approbato Machado afirmou que, se for encontrada qualquer prática que possa causar danos à reputação da advocacia, a OAB vai apurar.

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