Brigada militar e MST passam dia à beira de conflito no RS

Durante a madrugada, tropa vistoriou dois acampamentos e prendeu um homem por porte ilegal de armas

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2008 | 21h15

A Brigada Militar (a polícia militar gaúcha) montou uma operação de guerra com 700 soldados para cumprir mandados de busca e apreensão de armas e objetos roubados entre três grupos de sem-terra no noroeste do Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira. Durante a madrugada a tropa vistoriou dois acampamentos em Coqueiros do Sul e prendeu um homem por porte ilegal de armas.  Ao amanhecer, cercou a cooperativa do Assentamento Novo Sarandi, em Pontão, mas encontrou resistência dos cerca de 1,1 mil militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que estavam no local participando de um encontro estadual. O impasse se estendeu até às 16 horas, quando, por acordo, houve uma revista de instalações, ônibus e 50 pessoas, na qual nada foi encontrado.  Os mandados foram expedidos pelo juiz Orlando Faccini Neto, de Carazinho, que queria recolher os 19 ônibus usados para levar centenas de sem-terra a uma invasão-relâmpago, de três horas, à Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, na segunda-feira, e localizar objetos que sumiram da propriedade rural depois da ocupação, entre os quais uma máquina fotográfica, um anel, R$ 200, camisas, calças e tênis.  A movimentação de tropas e a resistência dos sem-terra do Assentamento Novo Sarandi, que ergueram uma barricada de pneus e tratores para impedir a passagem dos policiais, criaram uma situação de tensão que se estendeu das 8 horas às 16 horas. Depois de diversas tentativas infrutíferas, os policiais avançaram, mas não houve o conflito que se prenunciava. Os sem-terra depuseram as pedras, foices e facões que tinham em mãos.  Houve nova negociação, ao final da qual os sem-terra entregaram a relação dos passageiros que estavam nos ônibus usados na invasão de segunda-feira e 70 policiais civis e 70 policiais militares enfim revistaram 17 ônibus estacionados no local, 50 pessoas e os galpões do assentamento, sem encontrar nada. Do lado de fora, os sem-terra ficaram de braços dados em cordão e os demais policiais em formação, mas nenhum dos dois grupos avançou.  Depois do dia tenso e da revista, os dois lados saíram cantando vitória. "Fizemos cumprir a ordem do juiz sem recuar jamais", avaliou o coronel Paulo Mendes, subcomandante da Brigada Militar. "Conseguimos evitar a invasão de nosso assentamento pela Brigada Militar e um massacre dos sem-terra", avaliou Claudir Gaiado, da coordenação estadual do MST.  O ouvidor de segurança do Estado, Adão Paiani, que esteve no centro das negociações, admitiu que temeu pelo conflito, mas saiu satisfeito com o desfecho. "Ficou demonstrado que o Estado pelo agir com firmeza para fazer respeitar a lei e também preservar os direitos humanos, tanto do movimento social quando dos agentes de segurança", comentou.

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