Briga tucana por liderança vira prévia eleitoral

A disputa pela liderança do PSDB na Câmara promete esquentar os ânimos dos parlamentares a partir desta semana, quando o Congresso volta do recesso. Ao contrário da maioria dos partidos, nos quais a sucessão pelas lideranças é tranqüila, no PSDB a briga pelo comando da bancada na Câmara adquiriu ares de prévia eleitoral, com figurões da cúpula tucana divididos na preferência entre os deputados paulistas José Aníbal e Arnaldo Madeira.Ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso, Madeira é apontado como o candidato da preferência do governador de São Paulo, José Serra. Aníbal, que presidiu o PSDB entre 2001 e 2003, teria sua candidatura avalizada pelo ex-governador Geraldo Alckmin, que pretende concorrer à Prefeitura de São Paulo. Serra defende que o PSDB apóie a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). "São dois candidatos de peso, o que faz com que a eleição para a liderança fique mais interessante", diz o atual líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP). "A liderança é um assunto interno da bancada", diz Madeira, ao tentar desatrelar a briga pela liderança da disputa municipal. Em busca de votos, Madeira e Aníbal não descansaram no recesso e saíram pelo País garimpando apoios para a eleição secreta do próximo dia 13, que decidirá quem será o novo líder. Ainda em dezembro, Aníbal se encontrou com o governador mineiro Aécio Neves, considerado um apoio importante. O périplo de Madeira pelo País também incluiu Aécio. A bancada mineira está dividida.Cargos em comissões acirram disputa entre deputadosBRASÍLIACom a escolha dos novos líderes partidários, as atenções dos deputados vão se voltar para a designação dos presidentes das 20 comissões temáticas da Câmara. Mais uma vez a polêmica deverá recair sobre a definição de quem será o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais importante. Como tem a maior bancada (92 deputados), o PMDB fica com o cargo, reivindicado por Eduardo Cunha (RJ).Ligado ao ex-governador Anthony Garotinho, ao presidente da Assembléia do Rio, Jorge Picciani, e a seu filho, o deputado federal Leonardo Picciani, que presidiu a CCJ no último ano, Cunha pleiteia a comissão sob o argumento de que o cargo é da bancada fluminense. "Não há nada definido. Mas a tendência é que a presidência da CCJ fique com o Rio porque é o Estado que tem o maior número de deputados do PMDB", alega Cunha."Ainda vou conversar com a bancada para definir quem será o presidente da CCJ", diz o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). "Mas não há obrigatoriedade de a presidência da CCJ continuar nas mãos do Rio."No ano passado, o grupo de Cunha também usou o argumento de que a bancada do PMDB era a maior para obter a nomeação de Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas e de Moreira Franco para a Caixa. Após reconquistar o Ministério de Minas e Energia, o PMDB da Câmara também briga pela presidência da Comissão de Minas e Energia, hoje com o PP. Já o PT, que tem a segunda maior bancada da Casa (80 deputados), vai centrar forças na manutenção da Comissão de Finanças e Tributação. O PSDB comanda três comissões, mas perderá espaço, tendo que abrir mão para DEM ou PPS. Já o DEM pretende continuar com a Comissão de Seguridade Social e Família. E.L.

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