Briga por Furnas rompe trégua entre PMDB e PT

Deputado peemedebista ataca 'incompetência' de diretores petistas em resposta a documento que critica gestão de seu partido

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2011 | 19h43

RIO DE JANEIRO - A briga pelo comando de Furnas, uma das estatais mais cobiçadas do setor elétrico, rompeu a trégua entre PMDB e PT na disputa por cargos do segundo escalão. Em resposta a um documento elaborado por funcionários de carreira que apontam o "declínio contínuo" de Furnas desde que a presidência foi entregue ao PMDB fluminense, o deputado peemedebista Eduardo Cunha (RJ) atacou hoje a "incompetência" de diretores ligados ao PT e afirmou que a estatal teria "mais prejuízos" se não fossem as "alterações bancadas pelo PMDB".

O documento intitulado ''Furnas - preocupação dos seus trabalhadores'' atribui à "gestão Eduardo Cunha" uma série de desvios administrativos, a troca injustificada de antigos gerentes e aponta "o desrespeito às leis, estatutos e regulamentos que regem o mundo corporativo". Segundo os funcionários, com exceção da Diretoria de Operação, "tudo passa pelo crivo do deputado".

O relatório de pouco mais de duas páginas foi entregue ao petista Jorge Bittar, deputado licenciado e atual secretário municipal de Habitação do Rio. "Estou preocupado com a situação e encaminhei o que recebi ao ministro Luiz Sérgio (presidente do PT do Rio e titular da Secretaria de Relações Institucionais)", disse Bittar, que nega qualquer motivação política na iniciativa de levar as denúncias ao governo. O teor do documento foi noticiado hoje pelo jornal O Globo.

"Setores do PT, não o PT como um todo, buscando tomar cargos dos aliados. Só não falam dos diretores deles e suas incompetências", escreveu Eduardo Cunha em seu perfil no Twitter. O deputado atacou "setores que brigam pelas suas mamatas dentro de Furnas" e negou interferência na estatal.

Briga

Embora petistas digam que vão respeitar a ordem da presidente Dilma Rousseff de não brigar em público com o PMDB, a intenção do PT é aproveitar o início do novo governo para tirar de Eduardo Cunha o controle sobre Furnas. A ingerência do PMDB fluminense começou em 2007, quando Cunha emplacou o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde na presidência da estatal. Doente, Conde foi substituído pelo funcionário Carlos Nadalutti Filho, com aval do deputado peemedebista.

Em nota, Carlos Nadalutti lembrou que tem 30 anos de carreira em Furnas , negou irregularidades administrativas e disse que apenas o Diretor de Gestão é indicação política, do PT. "Pela primeira vez nos 53 anos de existência da empresa, cinco (diretores) são técnicos com larga experiência e com trajetórias destacadas em Furnas e no setor elétrico", disse o presidente. Segundo Nadalutti, "as ilações políticas, as mentiras e leviandades distorcem os resultados positivos obtidos desde 2008 pela gestão técnica que está à frente da companhia - patrimônio dos brasileiros - e servem a interesses políticos de grupos que buscam o controle da empresa".

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