Briga por cargo no segundo escalão ameaça coalizão

Uma briga entre o PT e o PMDB por causa da presidência do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) ameaça a estrutura da coalizão que sustenta no Congresso a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PMDB exige o cargo e até já indicou o nome do ex-deputado estadual potiguar Elias Fernandes para o órgão; o PT, no entanto, não admite abrir mão do Dnocs e quer manter lá Eudoro Santana, atual presidente, indicado pelo diretório estadual do Ceará.Por causa dessa briga, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, foi avisado pelos dirigentes do PMDB de que, se mantiver Eudoro, o partido vai reagir. Geddel respondeu que é ele quem decide a nomeação e que o partido não precisa se preocupar. Mas o PT resolveu recorrer ao presidente Lula para pedir por seu protegido. Como a situação não se definiu para nenhum lado, os peemedebistas aproveitaram para mandar recados ao Palácio do Planalto, segundo os quais exigem logo a nomeação de Fernandes e dos outros indicados para cargos nas estatais e no segundo escalão. A lista com os nomes foram entregues na semana passada ao ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia.Como o presidente tem procurado evitar brigas entre os partidos, esse assunto deve ser tratado com o presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini, que, nesta terça-feira, reuniu-se com Lula no Palácio do Planalto. Mesmo assim, Lula não se livra de um rosário de queixas dos deputados de seu partido.Principalmente em relação ao que consideram como pouco caso do governo para com as decisões partidárias, visto que suas resoluções não são levadas em conta pelo Palácio do Planalto. No fim de semana, o PT atacou os encontros do presidente Lula com os dirigentes da oposição. Na última segunda-feira, Lula aproveitou o programa Café com presidente para dizer que o diálogo com a oposição significa a distensão do governo.

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