Briga entre Tasso e Serra continua

Os dirigentes nacionais do PSDB conseguiram fechar um acordo em torno do programa do partido que vai ao ar em cadeia de rádio e televisão no dia 15, mas a briga entre o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), e o ministro da Saúde, José Serra, continua.Em reunião da executiva nacional tucana na noite desta terça-feira, Serra até ganhou um round importante, evitando que o programa eleitoral fosse usado para antecipar o ingresso formal do partido na corrida presidencial.Mas os grupos de ambos não se entendem. Além das divergências quanto ao formato do programa de televisão, eles brigam por conta do ?timing? da escolha do candidato a presidente e do início da campanha presidencial.Deixando claro que não se trata de uma diferença meramente conceitual , o governador cearense lembrou o risco da consolidação da candidatura presidencial da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), como salientara a cúpula tucana na véspera.?Ele ameaçou apoiar a Roseana para mostrar que não aceitará que o PSDB lhe imponha a candidatura de Serra?, resumiu um interlocutor de Tasso.Enquanto Tasso já se lançou candidato e está determinado a intensificar sua campanha, inclusive comparecendo a programas de entrevistas no rádio e televisão, Serra viajou para a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) no Catar, decidido a limitar suas aparições na tevê às atividades de ministro da Saúde.Para não vetar a exposição do governador cearense, deixando Serra de fora do horário eleitoral do PSDB, os serristas conseguiram aprovar, na executiva, a proposta de abrir espaço a todas as lideranças nacionais, com uma ressalva: cada um deveria aparecer em sua atividade, e não como pré-candidato, em campanha.?Fui derrotado na discussão do programa, mas a questão de fundo é o cronograma da escolha do candidato, prevista para março, e eu ainda vou brigar para antecipá-lo?, diz o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB).Ele e os governadores Tasso e Almir Gabriel (PSDB), do Pará, sugeriram à executiva que abrisse aos pré-candidatos tucanos os 60 comerciais de 30 segundos que o partido começou a exibir nesta quarta-feira.Mas na reunião em que 16 tucanos defenderam seus pontos de vista ao longo de quatro horas de debates, saíram vencedores os serristas, que sugeriram ampliar o elenco tucano do programa.Para tal, tiveram que encurtar a participação do presidente Fernando Henrique Cardoso, que gravara na sexta-feira, tomando conta dos 20 minutos a que o PSDB tem direito.Até então, a idéia era deixar que o presidente desenhasse os avanços de sua administração, porque a avaliação geral é que ele se comunica bem, e seu governo, mal.Articulador entusiasmado da candidatura Serra ao Palácio do Planalto, o líder tucano na Câmara, Jutahy Júnior (BA), deixou a executiva certo de que o resultado final agradara a todos e de que havia um entendimento geral no sentido de que não é hora de tratar de campanha.?O momento é de fortalecer os ganhos do governo, que vive sua melhor fase neste ano, com o sucesso do presidente na viagem à Europa, o descolamento da crise da Argentina e a queda do dólar?, ponderou Jutahy.Mas a alegria durou pouco. Os sinais de que a crise interna continuava vieram fortes ao longo do dia, com a recusa de Tasso a participar do programa que já havia gravado.Foi preciso que o presidente do partido, deputado José Aníbal (SP), e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, entrassem no circuito para acalmar o governador cearense, que queria os comerciais reservados aos pré-candidatos tucanos.Mas os serristas insistiram em que não havia como fechar um quadro que ainda não está definido. Citaram o nome do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), como uma alternativa possível para a corrida presidencial, que ainda não está posta.Aécio, que estava fora da reunião e da polêmica, acabou entrando no programa do PSDB, gravando seu depoimento nesta quarta-feira, antes de embarcar para os Estados Unidos com o presidente Fernando Henrique.Àquela altura, Tasso considerava que não era vantagem dividir o espaço com uma dezena de lideranças. Acabou cedendo e entrará no ar em duas inserções, a partir de sábado, mostrando as ações do governo do Ceará e destacando programas da área social.Além disso, também terá lugar no programa maior de 20 minutos, ao lado de Fernando Henrique. Segundo José Aníbal, o ministro Serra participará com imagens de arquivo do PSDB, já que se negou a gravar antes do embarque para Catar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.