Briga entre ruralistas e MST deixa 27 feridos

Os dois grupos foram a Pedro Osório (RS) para uma audiência do Incra

Sandra Hahn, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Um confronto entre sem-terra e ruralistas em Pedro Osório, a 304 quilômetros de Porto Alegre, deixou 27 feridos ontem de manhã. A briga ocorreu na frente do salão paroquial da cidade, onde às 10 horas estava marcada uma audiência pública, agendada há um mês pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para discutir a tensão no campo.Os grupos trocaram ofensas e logo passaram às agressões físicas. Além de socos, pontapés e empurrões, usaram mastros de bandeiras e cadeiras como armas. Logo que a briga começou, havia quatro policiais na frente do salão, que em seguida chamaram reforços do Batalhão de Operações Especiais.Segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, os produtores chegaram ao local por volta das 8h30 e pouco depois foram cercados pelos sem-terra, que iniciaram a briga. A coordenação local do Movimento dos Sem-Terra (MST) nega e garante que os fazendeiros tentaram impedir seu acesso ao local.Em nota, o MST informa que dois de seus militantes foram feridos e acusa a Brigada Militar (a Polícia Militar gaúcha) de ter participado das agressões aos sem-terra. Em Pedro Osório, o coordenador Marcelino João Soares disse que seu grupo tinha cerca de 130 pessoas, dos quais 40 eram crianças.A Santa Casa da cidade atendeu 22 sem-terra e 5 policiais com ferimentos, mas nenhum em situação grave. O capitão Kleiton Renan Sedrez foi atendido e depois levado para Porto Alegre, com arritmia cardíaca. Seis sem-terra foram detidos pela polícia para interrogatório e liberados ontem mesmo."O local da audiência tinha espaço para todos", garantiu depois o tenente-coronel Utinguaçú de Farias Rosado, comandante interino da regional sul da Brigada Militar, ao lamentar o conflito. Ele reclamou, porém, que a Brigada não foi consultada sobre a conveniência de realizar a reunião na cidade, que tem 8 mil habitantes.Rosado explicou que a Brigada montou barreiras em três acessos à cidade e revistou veículos particulares e os ônibus dos sem-terra, apreendendo instrumentos potencialmente perigosos, como foices. Os sem-terra afirmaram que os carros de fazendeiros não tiveram que passar pela verificação, mas Rosado assegurou que todos os veículos foram vistoriados.Enquanto esperavam a realização da audiência, que acabou sendo cancelada, sem-terra e ruralistas permaneceram próximos durante boa parte do dia. Os integrantes do MST ficaram na área do salão e os produtores do lado de fora. Depois que a reunião foi suspensa, os sem-terra voltaram para um acampamento perto da Fazenda da Palma.

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