Briga de Yeda com Feijó vai parar nos tribunais

Governadora irá mover ação indenizatória por danos morais contra o seu vice

Elder Ogliari, da Agência Estado,

02 de outubro de 2009 | 18h43

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), vai mover uma ação indenizatória por danos morais contra o vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM). A decisão de levar a briga que os dois mantêm há três anos para os tribunais foi anunciada nesta sexta-feira, 2, pelo advogado da tucana, Fábio Medina Osório.

A gota d''água foi a divulgação pela CPI da Corrupção, na noite de quinta-feira, 1º, de um depoimento que o democrata deu ao Ministério Público Federal em agosto. No vídeo, Feijó narra que parte dos recursos arrecadados durante a disputa eleitoral de 2006 desapareceu ou não entrou na prestação de contas, que percebeu interesse de algumas pessoas em enriquecer e que ouviu a própria Yeda lhe dizer que "campanha é o momento da poupança".

Segundo Osório, o Rio Grande do Sul vive "uma espécie de debate eleitoral antecipado" no qual "algumas pessoas preferem instrumentalizar as instituições com calúnias". Essas pessoas, afirma o advogado, serão desafiadas a provar o que dizem. Para Osório, Feijó não tem "lastro probatório" do que descreveu aos procuradores da República.

O advogado do vice-governador, Marco Antônio Campos, sustenta que seu cliente "está tranquilo e mantém o que declarou". Também assegurou que Feijó vai se defender apresentando as comprovações no momento adequado. A briga de Yeda com Feijó começou entre o primeiro e o segundo turno da campanha eleitoral de 2006, quando a então candidata, já favorita, pediu que seu vice renunciasse.

Ainda antes de assumir, Feijó trabalhou pela rejeição de um projeto de aumento de impostos que o então governador Germano Rigotto (PMDB) apresentou à Assembleia a pedido de Yeda. Durante sua gestão, a governadora chegou a evitar algumas viagens para não passar o cargo ao vice. No ano passado, Feijó entregou à CPI do Detran a gravação de uma conversa que teve com o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, na qual seu interlocutor dizia que partidos políticos se financiam de estatais e órgãos públicos gaúchos, e detonou uma crise no governo gaúcho.

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