Briga de siglas por igrejas é palmo a palmo

No maior colégio eleitoral do País, a corrida dos candidatos atrás do apoio de igrejas evangélicas é um dos fenômenos que mais chamam a atenção nas eleições municipais deste ano. O apoio religioso tem sido disputado palmo a palmo.

ROLDÃO ARRUDA, Agência Estado

11 de setembro de 2012 | 08h50

Na avaliação de especialistas, o fenômeno não é novo. A novidade está na exacerbação, no nível municipal, de um processo que já dura 25 anos na cena política nacional.

"O ingresso organizado dos pentecostais e neopentecostais na política ocorre na segunda metade da década de 1980, na Constituinte. Foi quando ficou evidente seu interesse pela política partidária, ávidos por recursos públicos, emissoras de rádio e TV, barganhas e alianças com candidatos, partidos e governantes", observa o sociólogo Ricardo Mariano, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. "Eles ajudaram José Sarney a estender seu mandato para cinco anos em troca de concessões na área de comunicação. Em seguida deram apoio maciço a Fernando Collor de Mello no segundo turno das eleições de 1989, contra a candidatura lulopetista. Eles demonizaram o Lula e o PT, dizendo que iria tolher a liberdade religiosa, fechar os templos evangélicos."

De lá para cá, segundo o estudioso, houve um constante processo de "instrumentalização recíproca", no qual as igrejas negociam apoio político em troca do atendimento de suas reivindicações, aumentando seu poder midiático e político a cada ano. Em 2010, a debandada de eleitores evangélicos da candidatura de Dilma Rousseff (PT), da qual se dizia ser favorável ao aborto, foi fator decisivo para levar a eleição para o segundo turno.

Na avaliação da socióloga Maria das Dores Campos Machado, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a busca do apoio de líderes evangélicos deve-se à influência que eles têm sobre os eleitores que vão aos seus templos. "A base social dessas igrejas é recrutada entre pessoas de baixo nível de escolaridade, que definem seu voto a partir do que ouvem nos círculos mais próximos", analisa.

Outro fator que é levado em consideração, segundo a socióloga, é o uso do templos para a apresentação dos candidatos aos eleitores. "Antigamente, especialmente nas pequenas cidades, a apresentação ocorria nos comícios. Hoje as igrejas constituem um espaço muito valorizado de concentração de pessoas. Elas se tornaram celeiros de votos."

O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, da área de Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais, também atribui à decadência dos partidos o aumento da influência evangélica: "À medida que os partidos perdem identidade e se torna mais difícil distinguir as diferenças entre os candidatos, as igrejas acabam ocupando o lugar da legenda eleitoral. Nesse cenário, a indicação do vigário ou do pastor acaba tendo um peso maior." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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