Briga de empregados leva a condenação por racismo

Uma discussão entre um pedreiro e um mestre-de-obras, na frente de testemunhas, acabou na condenação por racismo da Enplan Engenharia e Construtora, empresa de engenharia que presta serviços à Embraer, em São José dos Campos. O processo foi julgado pelo juiz do Trabalho de Caçapava, Orlando Amancio Taveira. A empresa foi condenada a pagar R$ 50 mil por danos morais ao pedreiro, mas informou que vai recorrer da decisão judicial, porque não se considera culpada pelos incidentes entre dois de seus empregados, e que em 18 anos de existência jamais defendeu atos racista ou discriminatórios. A Enplan alega também que nenhum dos dois envolvidos integra a sua diretoria, ou está autorizado a se manifestar sobre qualquer assunto em nome dela. A briga entre o mestre-de-obras e pedreiro aconteceu no dia 19 de julho dentro da Embraer, onde a Enplan presta serviços de engenharia civil. O mestre-de-obras Normélio Dante Pazzini repreendeu o pedreiro Daniel dos Santos na frente de várias colegas. Para reclamar de um serviço mal-feito, o mestre-de-obras tratou o pedreiro como possível homossexual e disse que, por ele ser negro, seria fácil encontrar um substituto para fazer o trabalho. Daniel dos Santos lembra que sentiu-se envergonhado e passou mal, deixando o trabalho e indo para casa. No dia seguinte, foi à policia e registrou um boletim de ocorrência. "Tinha que fazer justiça, porque nunca em minha vida enfrentei esse tipo de preconceito?. O advogado Roberto da Silva, contratado por Daniel, afirmou que além dos R$ 50 mil, a Enplan terá que pagar as multas da rescisão de contrato. O advogado afirmou que o processo foi aberto contra a empresa porque o patrão responde pelos atos do empregado. A Enplan, que vai recorrer da decisão, ainda não decidiu nada sobre o mestre-de-obras Normélio, que continua trabalhando na empresa.

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