‘Briga ácida’ por Furnas é lamentável, diz Temer

Vice-presidente critica, em entrevista à TV Estadão, troca de insultos entre políticos, sobretudo do PMDB e PT; para Dilma, denúncias já são apuradas

Malu Delgado, de O Estado de S. Paulo, e Felipe Machado, da TV Estadão

28 de janeiro de 2011 | 23h00

O vice-presidente da República, Michel Temer, repreendeu ontem "a briga lamentavelmente ácida" entre peemedebistas e petistas pelo comando de Furnas. Em entrevista à TV Estadão, em seu escritório de São Paulo, Temer afirmou que caberá ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), levar à presidente Dilma Rousseff três ou quatro nomes do partido com perfil técnico para que ela faça a escolha do novo presidente da estatal.

 

"No tocante a Furnas eu devo dizer que é muito inconveniente essa disputa entre membros do PT e do PMDB. É uma briga lamentavelmente ácida. Você pode brigar por espaço, mas de uma forma adequada. Tenho criticado essa disputa", disse.

 

Responsável por apaziguar os ânimos do PMDB por conta dos cargos de segundo escalão, Temer enfatizou o acerto com Dilma para que o dirigente de Furnas seja técnico. Nomes como os dos senadores Hélio Costa (PMDB-MG) e Osmar Dias (PDT-PR) foram descartados.

 

"O nome pode ser do PMDB, mas um nome técnico, que tenha condições de gerir a empresa", insistiu. Temer não fez comentários sobre as denúncias de irregularidades na estatal sob ingerência do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), causa da troca de acusações. Carlos Nadalutti, que chegou ao comando da estatal pela indicação de Cunha, perderá o posto.

 

Ontem, em Porto Alegre, ao ser questionada sobre as denúncias relativas a Furnas, Dilma afirmou que todas as acusações envolvendo entes públicos serão investigadas. "Acredito que (o caso Furnas) já está com os órgãos competentes porque isso não é atual, acho que a Controladoria Geral da União (CGU) já tinha inclusive iniciado levantamento nesse sentido", afirmou.

 

A troca de insultos motivada pela disputa em Furnas alcançou o Twitter. A origem da briga está nas denúncias de irregularidades. Na semana passada, o secretário de Habitação do Rio, Jorge Bittar (PT), encaminhou ao ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, documento em que funcionários de carreira denunciam o aparelhamento da estatal e desvios administrativos, segundo eles patrocinados por Cunha. O peemedebista reagiu com ataques à "incompetência" dos diretores ligados ao PT.

 

O dossiê dos trabalhadores fala em sobrepreços e atrasos nas obras das usinas de Simplício e Batalha e aponta suspeitas em operações financeiras da estatal.

 

Ao longo da semana, a briga se estendeu entre o ex-peemedebista Anthony Garotinho e Cunha. "Nós podemos fazer uma CPI de todo o setor elétrico. Eu garanto que saio ileso, mas não sei se todos saem", ameaçou Cunha. Em nota, o presidente de Furnas diz que as contratações e alterações de contratos são feitas dentro da lei e que a estatal "é permanentemente auditada e fiscalizada". / COLABORARAM ELDER OGLIARI, LUCIANA NUNES LEAL E CHRISTIANE SAMARCONE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.