'Brazil Forum UK' debate modelos de desenvolvimento e impactos sociais

Evento reúne o escritor Ailton Krenak, a quilombola Valéria Pôrto, a senadora Katia Abreu e o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES Joaquim Levy

Fernanda Boldrin, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2020 | 05h00

O ‘Brazil Forum UK’ reúne nesta quarta-feira, 24, o escritor e ativista Ailton Krenak, o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES Joaquim Levy, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) e a quilombola ativista Valéria Pôrto para debater modelos de desenvolvimento e impactos sociais. O painel, virtual, tem início às 17h e será transmitido pelas plataformas do Estadão. A moderação será de Gabriela Sarmet, da Soas University of London. 

“O desenvolvimento no Brasil é historicamente marcado pelo extrativismo intensivo e pela agroexportação, gerando impactos sociais e ambientais que hoje atingem índices alarmantes”, diz a organização do evento em seu site. Com isso, o painel, que tem o mote “Que desenvolvimento queremos?”, busca trazer diferentes visões para debater o assunto. 


A convidada Valéria, que vem do quilombo Pau D’arco e Parateca, em Malhada (BA), diz que se hospedou na casa de uma amiga, na zona urbana do município, para garantir o funcionamento de sua internet durante o evento. Ela pretende fazer uma fala representativa, a partir de seu “lugar de origem”.

Valéria conta sobre a concepção de agroecologia, que define como um modo de vida que envolve tanto o processo de produção, de agricultura familiar, quanto a luta e a história de seu povo. E, para ela, um não pode ser dissociado do outro: “São áreas (de produção) que historicamente estiveram em disputa”, afirma, ao falar sobre práticas de cultivo tradicionais: “Desde que se luta pela garantia do território quilombola de Pau D’arco de Parateca é que se faz esse cultivo próximo à beira do rio”, diz. Ela enfatiza ainda que esse modo de vida e de produção é dinâmico e busca inovação.

A ativista quilombola não deixa de lado outro ponto que julga fundamental: a questão do racismo. “É algo que nos deixa fora da linha de desenvolvimento que está posta”, afirma ela, que avalia que, no contexto atual, não podemos tratar “meramente da questão produtiva”. “A gente compreende desenvolvimento como um todo”, diz.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.