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Brazil Conference: Para ex-chanceleres, política externa vai pautar eleição

Aloysio Nunes, Celso Amorim, Celso Lafer e Rubens Ricupero participaram de debate sobre as relações internacionais do Brasil

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2021 | 21h08

As dificuldades recentes da política externa brasileira, materializadas no entrave às compras de vacinas e insumos da China para combater o coronavírus, devem trazer o tema das relações entre o Brasil e o restante do mundo para o debate eleitoral do ano que vem. A avaliação é de especialistas que participaram nesta sexta-feira, 16, da Brazil Conference at Harvard & MIT, evento organizado pela comunidade de estudantes brasileiros de Boston (EUA), em parceria com o Estadão.

O painel “Política Externa” reuniu os ex-chanceleres Aloysio Nunes Ferreira, Celso Amorim e Celso Lafer, o diplomata e ex-embaixador Rubes Ricupero, a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (MDB-TO), e o cientista político Hussein Kalout. A mediação foi da jornalista Patrícia Campos Mello. As discussões abordaram as expectativas para o setor após a saída do ex-chanceler Ernesto Araújo, criticado por todos os debatedores no evento. 

Para Aloysio Nunes, tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ou um aliado dele) quanto candidatos que devem surgir de partidos de centro levarão para suas campanhas propostas para as relações do Brasil com o exterior em um eventual momento pós-Bolsonaro. “A política externa será uma exigência do cardápio que os brasileiros vão examinar na hora de escolher seus candidatos, obrigando essas correntes (políticas) a dizer o que querem do Brasil em sua presença no mundo.”

O fato de o discurso de posse do chanceler Carlos Alberto França – sucessor de Araújo – não ter abordado temas como globalismo, cristianismo e conservadorismo, assuntos caros ao ex-ministro das Relações Exteriores, foi visto como um indicativo positivo para a diplomacia brasileira. “O que havia na política externa era uma coisa absolutamente louca”, disse Celso Amorim. Rubens Ricupero destacou que o único elogio feito por França ao sucessor foi dizer que ele “facilitou a transição”.

Celso Lafer, entretanto, pontuou que a política externa é uma posição da política interna. “A agenda da opinião pública é uma responsabilidade do chanceler, e ela é uma condição de sustentabilidade da política externa”, disse. 

Funcionalismo. À tarde, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e a vice-coordenadora da graduação de Administração Pública da FGV, Cibele Franzese, discutiram caminhos para melhorar a gestão de pessoas no serviço público.

As propostas passaram por unificação de carreiras, criação de avaliações de desempenho e sistemas de premiação e melhor distribuição de verbas – o governo federal tem cerca de metade do orçamento público, mas Estados e municípios contratam mais da metade dos servidores que, de fato, prestam serviços de saúde, educação e segurança.

Assista aos painéis desta sexta:

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