Brazil Conference/Reprodução
Brazil Conference/Reprodução

Mesmo em crise, Brasil é terreno de boas oportunidades para startups, avaliam empreendedores

Painel no Brazil Conference at Harvard & MIT destacou novos hábitos gerados pela pandemia do coronavírus que devem permanecer

Bruno Nomura, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 05h00
Atualizado 26 de abril de 2020 | 18h52

O mundo pós-covid impõe novos desafios para empresas, mas o Brasil continua sendo um terreno fértil para o surgimento de startups. Essa é a avaliação dos integrantes do painel sobre o ambiente para startups no País, parte da programação do Brazil Conference at Harvard & MIT. Em sua sexta edição, o evento anual realizado por estudantes brasileiros sediados em Boston, nos Estados Unidos, acontece por videoconferência devido à pandemia do coronavírus.

O contexto é de cautela e adaptação para as empresas que já estão no mercado, analisou João Barbosa, co-fundador da plataforma de acesso a academias Gympass. O executivo afirmou que a empresa precisou agir rápido para diminuir os impactos causados pela covid-19, já que seu modelo de negócio é baseado em estabelecimentos que estão fechados neste momento. Entre as medidas adotadas pelo Gympass está a expansão da área de atuação da plataforma, que passou a disponibilizar acesso a psicólogos e nutricionistas.

Na avaliação de Barbosa, existe apetite de investidores para novos negócios, mas os empreendedores precisam passar a propor soluções já pensando em atender o mundo pós-covid. “Esse é o novo cenário. Traçamos um plano de ataque e tomamos uma postura de sermos protagonistas nessa crise, em vez de aguardarmos os impactos dela”, defendeu.

“Os próximos três ou seis meses vão oferecer oportunidades interessantes”, prevê Luiz Ribeiro, diretor da empresa de private equity General Atlantic. Entre as tendências apontadas pelo executivo estão a aceleração da digitalização dos processos de empresas, a acentuação do crescimento do setor de e-commerce e novas relações de trabalho com o regime de home office.

Na avaliação de Ribeiro, em momentos de estabilidade, o Brasil é um ambiente com muitas oportunidades para startups. Ao final da crise causada pelo coronavírus, essa tendência deve permanecer. “O Brasil tem mais de 200 milhões de pessoas e mais 200 milhões de problemas. Então tem muita oportunidade para empreendedores resolverem alguns desses problemas”, disse o diretor.

Os novos hábitos vieram para ficar, aponta Kristian Huber, co-fundador da Loft, plataforma de compra e venda de imóveis. O executivo enxerga um aumento da digitalização também no mercado imobiliário, tradicionalmente presencial. Huber avalia que, mesmo na crise, o momento é bom para empreendedores. “Quem olha o histórico do Brasil vê que não existe um momento excelente para investir ou fundar uma empresa”, destacou.

A conversa teve a mediação de Santiago Fossatti, sócio da Kaszek Ventures. A programação do Brazil Conference at Harvard & MIT discute temas relacionados à política, economia, cultura e sociedade com líderes e representantes da diversidade do Brasil.

Veja a programação:

27/4

Desigualdade, às 19h

Covid-19 e a desigualdade econômica no Brasil

Luciano Huck, Felipe Rigoni e Kátia Maia

28/4

Política Externa, às 19h

Política externa do Brasil: presente e futuro

Aloysio Nunes, Celso Amorim, Celso Lafer, Hussein Kalout, Rubens Ricupero e Vera Magalhães (moderação)

1º/5

Programa de Embaixadores Brazil Conference, às 17h

10 jovens brasileiros com projetos de impacto social selecionados pela conferência serão entrevistados por Pedro Bial

5/5

Como nos tornarmos um Estado reformista?, às 19h

Rodrigo Maia, Paulo Hartung, Marcos Mendes e Eliane Cantanhêde (moderação)

7/5

Os desafios dos Estados na Crise, às 19h

João Doria (SP), Helder Barbalho (PA) e Renato Casagrande (ES) e Andreza Matais (moderação)

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