Reuters e Estadão
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Brazil Conference 2022 é marcado por debates sobre a terceira via

As participações de Ciro Gomes, Simone Tebet, João Doria, Michel Temer, Sérgio Moro, Eduardo Leite e Luciano Huck discutiram alternativas à polarização entre Lula e Jair Bolsonaro nas eleições 2022

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2022 | 12h29

Pré-candidatos à Presidência da República participaram, durante o último fim de semana, de sabatinas na oitava edição da Brazil Conference, evento apoiado pelas universidades Harvard e MIT e que tem parceria do Estadão. Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Doria (PSDB), Sérgio Moro (União Brasil) e Simone Tebet (MDB) foram alguns dos convidados, além de outras lideranças, como o ex-presidente Michel Temer

Ciro Gomes

O ex-ministro usou seu tempo de fala no evento para defender a revisão da política econômica do Brasil, sobretudo do modelo de câmbio flutuante. Ele afirmou que “a democracia brasileira fracassou explosivamente em desenhar um modelo de desenvolvimento econômico” e argumentou pelo fim do teto de gastos, regra fiscal que limita o gasto da União à inflação. 

Ciro fez xingamentos ao também ex-ministro Sérgio Moro (União Brasil). Classificou-o como "inimigo da República" e disse que, se estivesse presente no mesmo debate que o ex-juiz, teria o chamado "de bandido para cima". Moro foi um dos convidados da Brazil Conference no sábado, 9.

O pedetista causou polêmica ao afirmar que a declaração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa do aborto foi “estapafúrdia”. Em sua avaliação, o partido do ex-presidente deveria evitar falar sobre as chamadas “pautas de costumes” porque, sempre que o faz, favorece a reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

“Por que o Lula tinha que dar uma declaração estapafúrdia como a que ele deu agora, que todo mundo tem direito a fazer aborto? Que coisa mais simplória para um assunto tão grave. (...) Qual o poder que Lula tem, sendo presidente por 14 anos, ou mandando na Presidência do Brasil, que não resolveu essa questão? Porque ela é insolúvel”, disse.

Eduardo Leite 

Logo nos momentos iniciais de sua sabatina, o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) disse estar “na pista para negócios” para uma candidatura à Presidência. Sua posição no jogo eleitoral deste ano está indefinida, uma vez que seu partido escolheu o paulista João Doria como pré-candidato ao Planalto. “À medida que estou desempregado vou ser candidato a alguma coisa, nem que seja a uma vaga de emprego”, brincou. 

O gaúcho defendeu que seja conduzido “um processo de privatização responsável” da Petrobras. Disse, também, que fica “indignado” em ver o Brasil discutindo no século 21 o tema do petróleo. “Não é o petróleo, não é a Petrobras a oportunidade de desenvolvimento do Brasil”, afirmou. Leite também disse que o governo tem de criar uma “nova geração de programas” para reduzir a desigualdade. 

Além disso, na noite anterior à de sua participação, o tucano foi citado no evento pelo apresentador Luciano Huck, que disse que vai apoiá-lo este ano. “Leite é meu candidato”, afirmou.

João Doria

Em sua participação, o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) comentou a disputa interna que trava com Leite no PSDB. Disse que prefere estar em um partido que tenha espaço para ouvir diferentes opiniões do que conviver em uma legenda que tenha “dono”. "O PSDB, por ser um partido democrático, que não tem dono, tem seu exercício dos que concordam e os que não concordam”, afirmou. 

Contudo, o tucano indicou que não pensa em abrir mão de sua candidatura à Presidência. Ele rechaçou que a divisão da legenda possa inviabilizar seu projeto, apresentado pelo PSDB ao grupo de partidos da chamada “terceira via” que articulam uma candidatura única ao Planalto. Ele defendeu a busca pelo consenso com o MDB e o União Brasil.

Sérgio Moro

Também no âmbito da terceira via, o ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro afirmou que segue à disposição para a candidatura presidencial deste grupo de partidos, mesmo após sua saída do Podemos. Ele exaltou que as pesquisas de intenção de votos o apontavam em terceiro lugar antes de sua migração para o União Brasil e afirmou que, portanto, tem uma “participação importante” no cenário do centro. “É extremamente importante que o candidato do centro seja competitivo”, disse.

Entretanto, o ex-juiz deixou a cargo do presidente de sua legenda, Luciano Bivar, a definição sobre sua eventual candidatura. “Acho que, na formação desse centro democrático, eu tenho uma participação importante. Agora, isso vai depender, evidentemente, da discussão dos partidos entre eles e nas discussões internas do partido. No meu caso em especial, quem está discutindo essa questão é o presidente do União Brasil Luciano Bivar”, afirmou.

Durante sua participação no evento, Moro voltou a exaltar seu trabalho durante a Operação Lava Jato, que condenou à prisão o ex-presidente Lula, entre outros políticos. Em determinado momento, ele foi confrontado pelo advogado Augusto de Arruda Botelho, ligado ao Grupo Prerrogativas e crítico à força-tarefa, sobre suas mensagens vazadas com o ex-procurador Deltan Dallagnol.

O ex-juiz argumentou que as mensagens não são suficientes para inferir que houve inocentes incriminados pela operação e que elas não revelam conluio entre juiz, procuradores e advogados, já que, segundo ele, é comum, na tradição jurídica brasileira, que os detentores desses cargos conversem entre si.

Simone Tebet

A senadora Simone Tebet (MDB) afirmou que se sente “preparada” para liderar a candidatura presidencial organizada pelo que chamou de “centro democrático”. Ela disse estar certa de que o grupo de partidos que articula lançar um nome único à corrida presidencial pela “terceira via” chegará a um consenso e argumentou que os pré-candidatos respeitarão a escolha das siglas.

“É claro que João Doria vai dizer que é pré-candidato até o final, o próprio deputado Luciano Bivar, mas todos nós temos um pacto a favor do Brasil. Estamos deixando nossos projetos pessoais porque o que interessa é o centro democrático estar no segundo turno”, afirmou.

Michel Temer 

Em sua participação, o ex-presidente Michel Temer avaliou que a aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) “pode não ser boa” para o ex-governador. “Para o ex-presidente Lula, foi muito boa uma aliança com o Geraldo Alckmin, eu não sei se foi bom para o Alckmin, porque você sabe que vão estourar, como estão estourando, outros embates eleitorais que tiveram com palavras, digamos assim, bastante agressivas em relação aos candidatos”, disse.

Durante o painel, o ex-presidente foi questionado pela colunista do jornal O Globo Vera Magalhães sobre o que diria a respeito dos comentários de que Alckmin poderia ser para Lula o que Temer foi para Dilma Rousseff. Em meio a risadas da plateia, o emedebista defendeu seu governo após o impeachment da petista e rechaçou que tenha havido um “golpe”. 

“Eu acho que essa história de que o Geraldo Alckmin possa ser igual a mim, por mim, aqui toda a modéstia de lado, se for igual a mim, acho que o Lula vai ter uma grande vantagem”, afirmou.

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