Paulo Beraldo/Estadão
Paulo Beraldo/Estadão

'Brasília não tem nada a ver com o que o Brasil enxerga da capital' diz secretário de cultura 

Longe das decisões do Congresso, o brasiliense desfruta de uma cultura rica e se orgulha da capital federal

Ludimila Honorato e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2017 | 05h00

Brasília vai além do propósito de ser a administração política do Brasil, desde que houve a transferência do Congresso e demais órgãos do Rio de Janeiro para lá. "Temos várias gerações de brasilienses que vivem, crescem, trabalham e criam os filhos aqui. A cidade não tem nada a ver com o que o Brasil enxerga da capital", diz Guilherme Reis, secretário de cultura do Distrito Federal e habitante da capital desde 1960, ano em que foi inaugurada.

Para ele, Brasília e seu entorno deveriam ser mais conhecidos, principalmente pela arquitetura, gastronomia e riquezas culturais, o que é motivo de orgulho para quem nasceu lá, segundo ele. Reiko Nakayoshi, 43 anos, é uma dessas brasilienses que ama a cidade onde construiu a vida. Descendente de japoneses, que saíram do país oriental para fugir da guerra, os pais dela só se conheceram no Distrito Federal.

“Brasília era a capital da esperança. Quando as primeiras pessoas vieram, disseram ao presidente que aqui não dava para plantar. Então, ele trouxe algumas famílias japonesas, e meus pais vieram com a esperança de uma vida melhor”, conta Reiko. Na capital federal, a família dela trabalhou com agricultura e comércio.

Atualmente, ela mora com os três filhos pequenos no Gama, uma cidade satélite a 32 quilômetros de Brasília. Ela diz que o transporte poderia ser melhor, que os preços de imóveis e escolas são altos no Plano Piloto, onde trabalha, mas se apega mais às belezas da cidade. “Adoro Brasília, é uma cidade bonita, com muito verde e diversidade cultural. Quando viajo, sinto falta do céu de Brasília, que é lindo", conta.

Para o aniversário de 57 anos de Brasília, comemorado em abril, as comemorações buscaram fortalecer as origens regionais. "Focamos na nossa identidade, nos sotaques, nos sons e nos ritmos que estão aqui nesse quadradinho no centro do país", diz Reis, sem esconder o carinho.

Patrimônio. Há quase 30 anos, Brasília foi reconhecida como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O urbanista e professor emérito da UnB, José Carlos Coutinho, não mede palavras para descrever o “patrimônio inestimável” que a cidade representa para a arquitetura mundial. A natureza e a paisagem marcantes completam o cenário.

Fruto do movimento modernista, a região do Plano Piloto é uma obra de arte a céu aberto e está inserida em um movimento de renovação do urbanismo internacional, explica. Cidades como Nova Delhi, na Índia, e Camberra, na Austrália, são também expoentes desse movimento, explica Coutinho. “Foi uma criação excepcional pela sua ambição”, diz.

O mérito é do arquiteto Lúcio Costa, que há 60 anos venceu o concurso para a escolha do projeto arquitetônico do Plano, em disputa com outras 26 propostas.

Coutinho ressalta que Brasília foi fruto do esforço de milhares de pessoas, “uma tarefa gigantesca da qual participaram muitas figuras de talento excepcional que acreditavam num futuro grandioso da cidade.”

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