Brasileiros trocam capitais por cidades médias

O brasileiro está preferindo as cidades médias (entre 100 e 500 mil habitantes) do litoral e do interior às capitais, revela a pesquisa Tendências Demográficas do Censo 2000, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com informações detalhadas de regiões e Estados.Na década de 90, os municípios do interior ganharam 17,6 milhões de moradores e quase a metade desse excedente populacional preferiu o Sudeste. No mesmo período, as capitais brasileiras receberam apenas 5,3 milhões de pessoas.São Paulo, o Estado mais urbanizado e mais populoso (37 milhões) do País, foi o que teve maior número de pessoas chegando ao interior. Entre 1991 e 2000, seu interior ganhou mais 4,6 milhões de pessoas, enquanto a cidade de São Paulo teve um incremento de 788 mil novos moradores.As regiões preferidas foram os municípios de praia e a própria região metropolitana paulista, também considerada interior pelo IBGE. Mas houve booms em cidades como Campinas e arredores, Ribeirão Preto e Sorocaba - pólos industriais, de agroindústria e de serviços."O que entendemos com esses números é que, como as capitais já não conseguem absorver mais ninguém, quem está atraindo os brasileiros são as cidades médias que têm atividade econômica e podem oferecer oportunidades de trabalho", explica Luiz Antonio Oliveira, chefe do Departamento de População e Indicadores Sociais do IBGE."Mas há ainda grupos que preferem as cidades litorâneas, e esse movimento ocorreu não só no Sudeste, mas em todo o País", acrescenta Oliveira.De fato, além do Sudeste, houve aumentos populacionais fora das capitais do Norte e do Nordeste. Foi o Amapá o Estado com a maior taxa de crescimento anual da década (5,4%). Em São Paulo, os municípios médios tiveram a maior elevação - cresceram a uma taxa anual de 3,1%, bem maior do que a do Estado (2,18%) ou a brasileira (1,66%).Um dado positivo revelado pelo estudo é a queda do grau de dependência da população ativa. Em 2000, para cada 100 pessoas potencialmente ativas, 47,9 eram idosos e crianças, menor do que os 55,5 de 1991. A região metropolitana de Campinas tinha a menor razão de dependência, de apenas 45,7%.Outra boa notícia foram as melhorias educacionais. Na década, o Estado elevou seus índices de escolaridade e reduziu o analfabetismo. Em 2000, os analfabetos eram apenas 6,6% da população com mais de 15 anos, queda de quatro pontos porcentuais. No período, os chefes de família também melhoraram seu grau de instrução.O Rio divide com o Distrito Federal a liderança dos melhores indicadores de educação. Em 2000, eles tinham as maiores taxas de alfabetização (93,4% e 94,3%, respectivamente) e de pessoas com mais de 12 anos de estudo (14% e 20,1%).

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