Brasileiro tem mais acesso à saúde

O relatório do IBGE revela que, na década de 90, aumentou o acesso à saúde da população brasileira, mas as diferenças regionais continuam grandes. O País melhorou em dois indicadores, o que mede o número de profissionais de saúde por habitante e o que calcula quantas pessoas dividem o mesmo hospital. Entre 1992 e 1999, subiu de 2,06 para 2,56 o total de profissionais para cada grupo de mil pessoas e caiu de 3.005 para 2.946 o número de pacientes atendidos pelo mesmo estabelecimento de saúde.As diferenças regionais continuam grandes. A pesquisa mostra que as regiões Norte e Nordeste são as que têm menos profissionais de saúde disponíveis. Elas têm, respectivamente, 1,15 e 1,73 empregos médicos para cada mil habitantes. O Maranhão é o pior nesse índice. Tem apenas 1 profissional por mil pessoas. Mas alguns Estados do Norte se aproximam dessa taxa, como Rondônia (1,03), Pará (1,04) e Acre (1,14). No item hospital cheio, no entanto, quem se destaca é o Distrito Federal, líder com 5.122 pessoas para cada estabelecimento de saúde. O Amazonas vem em segundo lugar, com 4.102.A pesquisa apresenta outros indicadores positivos da década. Entre 1992 e 2000, o Brasil conseguiu elevar os níveis de vacinação e atingiu a meta de 100% na cobertura de sarampo, BCG e poliomelite. A vacina tríplice é a única que ainda não chega a toda a população de crianças menores de um ano, mas já alcança 94,9%.Outra boa notícia do relatório é a redução da desnutrição infantil em crianças menores de cinco anos. A taxa passou de 18,4%, na metade da década de 70 (dados de 74 e 75), para 5,7% em 1996, quando foi realizada a última pesquisa nacional sobre o assunto.O panorama positivo na área da saúde é reforçado pelos avanços em outros dois índices: a queda da mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida ao nascer. Entre 1992 e 2000, cresceu de 66,3 anos para 68,5 anos a esperança de tempo de vida que o brasileiro tinha ao nascer.Sucesso semelhante é observado na taxa de mortalidade infantil. Em 1990, de cada mil nascidos vivos, 48 morriam com menos de um ano. Em 2000, o índice foi reduzido para 29,6 mortos por mil, abaixo da meta brasileira estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o fechamento da década.O último indicador de saúde apresentado no relatório do IBGE foi a taxa de uso de métodos contraceptivos, considerado um fator determinante na fecundidade da população e na saúde reprodutiva da mulher. Do total de mulheres em idade reprodutiva (entre 15 e 49 anos) e que vivem com parceiros, 76,7% disseram usar algum tipo de contraceptivo em 1996, taxa considerada positiva porque pode indicar que a mulher está evitando uma gravidez precoce ou em intervalos curtos demais.Mas a pesquisa mostra um resultado negativo. Entre todos os métodos contraceptivos, o mais usado ainda é a esterilização feminina (40%). Formas mais aconselháveis, como a pílula e o preservativo, ainda são usadas apenas por parcelas pequenas da população - 20,7% e 4,4%, respectivamente.

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