Brasileiro que 'redesenha mapa econômico dos oceanos' é destaque no 'WSJ'

Alexandre Albuquerque lidera comissão que define novas fronteiras marítimas.

Da BBC Brasil, BBC

22 de fevereiro de 2008 | 09h10

O jornal americano Wall Street Journal destaca em sua edição desta sexta-feira o papel ocupado pelo capitão reformado da Marinha Alexandre Albuquerque, que à frente de uma comissão da ONU, está "intermediando a maior expansão de territórios nacionais em tempos de paz da memória moderna".O Wall Street Journal diz que "os interesses e ambições econômicas de até 60 países" estão nas mãos de Albuquerque, o novo presidente da Comissão de Limites da Plataforma Continental, grupo da ONU encarregado de analisar demandas de países interessados em garantir soberania sobre a plataforma continental.Segundo o jornal, Albuquerque, de 67 anos, "especialista em fronteiras marítimas", trabalha "em segredo para redesenhar o mapa econômico dos oceanos". Trabalhando "em uma sala sem janelas no quarto andar do prédio das Nações Unidas em Nova York", o capitão reformado chefia "um grupo de 21 geólogos de todo o mundo que serve como 'árbitro' para novas reivindicações sobre o solo marítimo iniciadas sob a Convenção da ONU sobre a Lei do Mar".Reivindicações que, segundo o jornal, abrangem interesses sobre "milhões de milhas quadradas de solo marítimo sem dono, potencialmente ricas em reservas de petróleo, gás e minerais".Albuquerque é hidrógrafo de profissão e ajudou a mapear a plataforma continental do Brasil, mas desde 1991 ele passou a trabalhar com o Artigo 76 da Lei do Mar, que define as fronteiras do solo marítimo e as possíveis reivindicações sobre ele.A lei prevê que o mar territorial de países costeiros poderá ultrapassar em até 150 milhas as atuais 200 milhas de águas próximas à costa.Segundo Albuquerque, o que está em jogo é dinheiro. Algumas das áreas disputadas do Ártico, por exemplo, podem conter até 25% das reservas mundiais de petróleo e gás. O trabalho da comissão é, justamente, recomendar, com base nos dados fornecidos pelos países, quem tem direito sobre que pedaço do solo marítimo.O jornal destaca as dificuldades do trabalho, já que cada país tem que arrecadar um grande volume de dados para justificar a reivindicação, e diz que outros integrantes da comissão afirmam que não vão conseguir dar conta do trabalho."A comissão já tem mais do que pode processar. Ela espera que pelo menos outras novas 50 reivindicações sejam feitas até o fim de maio de 2009, o prazo final de submissão para muitos assinantes do acordo. (Os Estados Unidos ainda não assinaram o tratado). Essas reivindicações podem só ser resolvidas daqui a décadas, com trilhões de dólares em recursos minerais não utilizados em suspenso.""É caro abrir um caso. Há informações de que a Nova Zelândia separou um orçamento de US$ 40 milhões para preparar seu pedido. O país e a Austrália estariam buscando meio milhão de milhas quadradas do solo marítimo cada, segundo informações. A Rússia quer o Pólo Norte e também busca porções do solo marítimo do vizinho Mar Ártico, bem como o Canadá, a Dinamarca e a Noruega. Uma cópia impressa dos dados da Federação Russa poderiam encher a sala de conferências (onde trabalha Albuquerque), do chão ao teto."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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