Brasileiro já pode esperar viver no mínimo 71 anos

O brasileiro está vivendo mais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados hoje revelam que os nascidos no ano passado têm uma expectativa de vida de 71 anos, três meses a mais do que a estimativa de 2001. Da geração de 1980 para cá, o ganho foi de 8,5 anos. É a primeira vez, segundo o instituto, que as projeções anuais da Tábua da Vida ultrapassam a casa dos 70 anos, superior à média mundial de 65,4 anos.O aumento da longevidade, porém, permanece menor entre o sexo masculino. Vítima preferencial das mortes por fatores externos, causadas, em sua maioria, pela violência e pelos acidentes de trânsito, o homem vive, em média, 67,3 anos, bemmenos que os 74,9 anos das mulheres.Além de incidir nos cálculos da Previdência, a melhoria na esperança de vida do brasileiro vai exigir uma cobertura maior das políticas voltadas para a população idosa. ?Esse aumento vai ter um impacto, principalmente, nos programas de saúde e assistência ao idoso e na Previdência. O país sempre foi muito jovem e agora, com o envelhecimento, devemos nos voltar para programas específicos para os mais velhos?, destacou o gerente de Projeto de Dinâmica Demográfica do IBGE, Fernando Albuquerque.Embora a expectativa de vida ao nascer do brasileiro esteja acima da média mundial, o pesquisador ressalta que o Brasil ocupa apenas a 88ª posição no ranking da Organização das Nações Unidas. Entre os países da América Latina e Caribe, somos o 23º, atrás, por exemplo, de Costa Rica (78,1 anos), Cuba (76,7 anos), Uruguai (75,3 anos) e Colômbia (72,2 anos). A lista da ONU éliderada pelo Japão, onde a esperança de vida está em 81,6 anos. A Zâmbia vem em último lugar, com 32,4 anos, um poucomenos do número encontrado no Brasil no início do século passado. O cálculo da projeção de esperança de vida no Brasil foi aperfeiçoado pelo IBGE este ano em uma parceria com a ONU. Os pesquisadores revisaram os estatísticas desde 1980 e incorporaram informações do Censo 2000, os dados sobre nascimentos e óbitos do Registro Civil de 1999 a 2001 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2001.Na faixa de 20 a 25 anos, o impacto da violência na expectativa de vida entre o sexo masculino de 1980 para cá foi impressionante. Se início daquela década, a mulher vivia 2,1 anos a mais do que o homem, no ano passado a diferença foi ampliada em quase 100% ao pular para 4 anos. No mesmo ano, de cada mil homens que completaram 20 anos, 15,3 não chegaram aos 25 anos. Segundo Albuquerque, depois desta subida de 26% na década de 80, o índice apresenta uma ligeira tendência de queda. De2000 para o ano passado, caiu de 7,7 anos para 7,6 anos. Taxa que, de acordo com o pesquisador, é significativamente superiorà encontrada em países desenvolvidos, que varia entre quatro e cinco anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.