DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Brasileiro é quem menos confia em político, diz pesquisa mundial

Apenas 6% dos brasileiros confiam em políticos; País empata na última colocação com Espanha e França

Jamil Chade, correspondente / Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2016 | 12h19

GENEBRA – O brasileiro é o povo que menos confia em seus políticos entre as grandes economias do mundo. A constatação faz parte de uma pesquisa da organização GfK Verein, que mediu a reputação de diferentes profissões no mundo em 27 países e envolvendo 30 mil pesquisas. 

Com apenas 6% dos brasileiros indicando que confiam nos políticos, a pesquisa aponta que o País empata na última colocação com a Espanha e França. Os prefeitos teriam também no Brasil sua classificação mais baixa, com apenas 10% de confiança dos entrevistados. 

“A classe política é vista com desconfiança pela grande maioria da população”, constatou o estudo obtido com exclusividade pelo Estado e conhecido como Relatório Confiança nas Profissões. Fundada em 1934 na Alemanha, a GfK Verein se descreve como "organização sem fins lucrativos para promover a pesquisa de mercado".

No restante do mundo, a pesquisa também aponta a baixa credibilidade da classe política, com o grupo aparecendo no final da fila entre as profissões. No Japão, eles tem o apoio de apenas 12% da sociedade, contra 14% na Alemanha, 16% na Coreia do Sul, 31% na Alemanha e 48% na Índia. “O nível extremamente baixo de confiança nos políticos, os próprios profissionais aos quais se confia o destino de um país, permanece problemático”, afirmou a GfK. 

Realizada a cada dois anos, a pesquisa indicava em 2014 o Brasil como o penúltimo colocado e com a Espanha – em plena crise – registrando a pior marca mundial. Mas, em 2016, os dois países já aparecem empatados.

A crise política e a indefinição institucional no País teriam contribuído para o resultado. Mas, para os autores do estudo, a corrupção revelada pela Operação Lava Jato também afetou a credibilidade geral da sociedade em relação a diversas profissões.

De uma forma geral, o Brasil apareceu neste ano no último lugar no ranking. “Em média, apenas 55% da população confia nas profissões pesquisadas, o que significa que o índice de confiança geral do país permanece igualmente baixo ao observado em 2014”, afirmou o estudo. “Este ceticismo tem inúmeras causas, uma das quais pode ser a corrupção generalizada. Desde o outono de 2014, o escândalo de corrupção envolvendo a sociedade de economia mista petrolífera Petrobrás, tem mergulhado o país em uma profunda crise econômica e política”, explicou a pesquisa. 

Mas a pesquisa também aponta que a crise contaminou outras esferas públicas. “Com índices entre 57% e 46%, a confiança dos brasileiros em juízes, funcionários públicos e policiais também é bastante baixa”, indicou. 

Outro setor que sofreu foi a dos empresários. “Eles também são mal avaliados, caindo 5 pontos percentuais, apresentando um índice de confiança de apenas 37%”, apontou a pesquisa. “A reputação deste grupo profissional entre a população brasileira também pode ter sofrido devido ao escândalo de corrupção e à conjuntura econômica adversa”, estimou.

Já no topo da tabela das profissões com maior credibilidade no Brasil estão os  bombeiros, com um índice de confiança de 93%. “Eles são seguidos a alguma distância por professores (87%) e paramédicos (84%), que desfrutam de um aumento na confiança em relação a 2014”, indicou. “Parece que os cidadãos reconhecem os esforços destes grupos profissionais apesar de sua baixa remuneração e, em alguns casos, difíceis condições de trabalho”, explicou. 

Esportes. O mesmo estudo também aponta para a queda na confiança do brasileiro em relação aos esportistas, apesar de a Copa de 2014 e os Jogos de 2016 no Brasil. 

“Ao mesmo tempo, grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, têm sido e, na verdade ainda são a causa da elevada despesa pública. No entanto, a confiança cada vez menor em atletas profissionais e jogadores de futebol (44%) no país do futebol, certamente pode ser atribuída ao mau desempenho da equipe brasileira durante a Copa do Mundo de 2014”, explicou. 

Mas a maior queda no índice foi registrada pelos padres, que só obtêm a confiança de 43% da população majoritariamente católica do Brasil.

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