Brasileiro disputa Unesco à revelia

Barbosa representará outro país; Brasil apoia egípcio

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

14 Maio 2009 | 00h00

O engenheiro brasileiro Márcio Barbosa, atual número 2 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), deve lançar nos próximos dias sua candidatura à direção-geral da instituição, mesmo sem o apoio do Itamaraty. Barbosa representará outro país-membro - cujo nome ainda não revela -, liderando uma coalizão de nações que não aceita a candidatura do ex-ministro da Cultura do Egito Farouk Hosny, apoiada por Brasília. A decisão de Barbosa será oficializada em até 10 dias e bate de frente com o governo brasileiro, que preferiu Hosny, renunciando à possibilidade de suceder ao japonês Koichiro Matsuura, no posto desde 1999. "A opção do governo brasileiro acabou atiçando o interesse de outros países. Fui sondado e não quis responder imediatamente, pelo fato de querer contar com o apoio do Brasil", disse Barbosa, que tem o apoio - ainda extraoficial - de seu chefe. "Acho que posso representar uma certa continuidade do trabalho realizado até aqui por Matsuura." O prazo para oficializar sua candidatura se encerra no dia 30. Até aqui, há quatro postulantes ao cargo: a lituana Ina Marcuilionyté, a búlgara Irina Bokava e o argelino Mohamed Bedjaoui, além de Hosny. O egípcio chegou a ter o suporte de países influentes da Unesco, como a França. No entanto, em carta oficial enviada ao Cairo, o presidente Nicolas Sarkozy desculpou-se, mas retirou o apoio. Pesam contra Hosny suas posturas antissemitas e a busca pela normalização das relações culturais com Israel. Pela mesma razão, a delegação dos EUA já descartou o egípcio. Até o início do ano, Barbosa aguardava que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva arbitrasse entre a indicação de seu nome e o do ex-ministro da Educação Cristovam Buarque. "Estou perplexo em saber que a política externa brasileira não se preocupa com a Unesco." O Ministério das Relações Exteriores elenca, entre as razões do apoio a Hosni, a "excelência dos laços históricos que unem o Brasil ao mundo árabe" e "o processo contínuo de aproximação entre as duas regiões". Além disso, o apoio ao egípcio na eleição da Unesco seria estratégica em razão do suposto interesse do Brasil em disputar a eleição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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