Brasileiras estão entre as maiores vítimas do tráfico de pessoas

As mulheres brasileiras estão entre as maiores vítimas do tráfico de pessoas na América Latina e, em muitos casos, são usadas como prostitutas na Europa, Japão e em outros países que fazem fronteira com o Brasil. Os dados são da Organização Internacional sobre Migrações (OIM), uma agência da ONU que alerta: na região, o Brasil só perde para a República Dominicana e Colômbia no número de pessoas vítimas do tráfico.Informações obtidas pela entidade apontam que, apenas na Espanha, cerca de 1,8 mil brasileiras trabalhavam na indústria do sexo no início desta década e a maioria delas teria saído do Brasil sem saber em que setor atuaria. No total, existiriam 12,8 mil prostitutas estrangeiras nas cidades espanholas, quase um terço delas de origem colombiana. Na Suíça, os números são ainda maiores. Cerca de 2 mil brasileiras estariam trabalhando em casas noturnas. Nos Estados Unidos, as brasileiras também representam uma parcela importante das 50 mil prostitutas que atuam no país. Segundo dados da ONU, parte significativa das brasileiras teria chegado aos Estados Unidos na segunda metade dos anos 90. Um relatório produzido em junho pelo Departamento de Estado norte-americano aponta que Washington está preocupado com a situação do tráfico de pessoas no Brasil, não apenas para o mercado do sexo no exterior, mas também no que se refere ao uso de homens na lavoura em condições que beiram a escravidão.Outro caso que assusta as Nações Unidas é o da Colômbia, país em plena guerra civil. Todos os dias, entre duas e dez mulheres e meninas colombianas são vítimas do tráfico. A entidade ainda calcula que cerca de 500 mil colombianas já estejam fora do país e envolvidas de alguma forma na prostituição.Apesar de a situação no Brasil preocupar, a OIM não poderá ajudar o País, como está fazendo com a Colômbia, e em breve, com a República Dominicana, onde lança campanhas para alertar os jovens sobre o tráfico. O Brasil não paga sua contribuição anual à entidade e, portanto, não faz parte da organização da ONU responsável pelo tema de migrações.

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